EUA pediram ajustes na Starlink de Elon Musk
Pedidos dos governos Trump e Biden incluíram ligar ou desligar Starlink em países como Ucrânia, Irã, Iêmen e Líbano, conforme ex-autoridades americanas.
Washington – Muito antes da recente redução no acesso das Forças Armadas da Ucrânia ao sistema de comunicações por satélite Starlink, controlado pela SpaceX de Elon Musk, sucessivos governos dos Estados Unidos confiaram na empresa para ligar ou desligar o serviço de acordo com objetivos estratégicos internacionais, revelam seis ex-autoridades americanas familiarizadas com o assunto à Reuters.
Durante as administrações Trump e Biden, houve solicitações para restringir o serviço em determinadas regiões, como para impedir que milícias apoiadas pelo Irã no Iêmen e no Líbano utilizassem a Starlink para comunicação. Paralelamente, também foram feitas demandas para ativar ou ampliar o acesso, beneficiando países como o Irã, em momentos de protestos, e a Ucrânia, para suporte às suas forças militares na guerra contra a Rússia.
Conforme detalham quatro das ex-autoridades, os governos atuaram coordenadamente com a SpaceX para ajustar o serviço a fim de frustrar adversários e apoiar aliados, com participação frequente de oficiais do Pentágono e da Casa Branca. Em alguns casos, terminais Starlink identificados em mãos de grupos como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano foram desativados mediante pedido dos EUA.
O presidente ucraniano Volodimir Zelenski denunciou que o acesso à versão militar Starshield teve velocidade reduzida por uma ordem que, segundo a Reuters, veio da Casa Branca, prejudicando o uso dos drones militares ucranianos. Musk afirmou que o sistema é operado pelo governo americano, que determina eventuais limitações.
A dependência dos Estados Unidos em relação à SpaceX para ferramentas vitais de comunicação traz preocupações sobre o papel de Musk, considerado por especialistas e políticos como alguém com influência desproporcional nas decisões relacionadas à política externa e segurança nacional do país.
Além disso, as restrições na Ucrânia geraram alertas na Europa para a necessidade urgente de desenvolver infraestrutura própria de comunicação via satélite, dada a inexistência de alternativas viáveis no curto prazo.
Historicamente, Musk já havia tomado decisões para limitar o acesso da Ucrânia à Starlink, como em 2022, quando ordenou o corte do serviço em áreas de ofensiva ucraniana para evitar escalada do conflito, além de recusar apoio em ataques específicos que poderiam agravar a guerra.
Os governos americano e SpaceX afirmam que as ações buscam apoiar objetivos de segurança nacional e política externa, protegendo a tecnologia envolvida. Na prática, a cooperação entre agência governamentais e a empresa privada mostra uma interdependência inédita, moldando a forma como os Estados Unidos empregam recursos espaciais em conflitos e movimentações políticas ao redor do mundo.
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