Energia mais barata deve conter alta da inflação em outubro, indicam projeções
Projeções de mercado indicam desaceleração na prévia da inflação de outubro, influenciada pela queda nos preços da energia elétrica.
As projeções econômicas apontam que a prévia da inflação oficial do Brasil, mensurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), deve desacelerar em outubro de 2026. A queda nos preços da energia elétrica, motivada pela vigência da bandeira tarifária verde, é o principal fator responsável por essa melhora.
De acordo com estimativas de diversas instituições financeiras, o IPCA-15 de outubro deve variar entre 0,40% e 0,49%, números inferiores ao índice de 0,70% registrado em setembro. O Banco BV projeta uma alta de 0,40%, enquanto a Warren espera 0,41%. O Daycoval tem previsão de 0,43% e o Bradesco estima 0,45%. A SulAmerica Investimentos calcula 0,46% e a ASA, 0,49%. A Suno Research acredita em um aumento possivelmente acima de 0,4%.
Energia elétrica traz alívio à inflação de habitação
O grupo Habitação, que inclui a energia elétrica, deve ser o principal âncora para a inflação em outubro. Segundo a Warren Investimentos, o alívio esperado está em torno de 0,12%, provocado por uma redução de 1,10% no custo da energia elétrica decorrente da bandeira verde. O economista Leonardo Costa, do ASA, destaca que a inflação da energia elétrica está se normalizando após a aplicação do bônus de Itaipu, considerada a principal causa da desaceleração. O Daycoval acrescenta que a transição da bandeira amarela para a verde e o término dos descontos da usina hidrelétrica também contribuem para esse movimento.
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Alimentos e combustíveis pressionam inflação
Apesar da queda nos custos de energia, o grupo Alimentação e Bebidas deve apresentar aceleração, com alta prevista de 0,96%, puxada principalmente pelos alimentos in natura, que podem registrar pressão de até 6,10%, conforme projeção da Warren. A influência do fenômeno climático El Niño é apontada por analistas como responsável pelas chuvas acima da normalidade, afetando diretamente os preços dos alimentos frescos.
Gabriel Pestana, economista da Genial, ressalta que, além do clima, o aumento na arroba do boi se deve à retração dos abates, maior retenção de fêmeas e possível redução dos estoques.
Na categoria Transportes, a despesa com locomoção deve continuar elevada devido às flutuações mundiais nos preços do petróleo, agravadas pelo conflito no Oriente Médio. A Warren estima um aumento de 0,44%, com destaque para o reajuste de passagens aéreas (+3,50%) e combustíveis: gasolina (+0,35%), etanol (+3,80%) e diesel (+4,89%). Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a pressão sobre derivados do petróleo tende a persistir.
Além disso, conforme Pestana, o governo federal ampliou a redução de impostos para tentar conter a alta dos combustíveis, mas, até setembro, essa medida ainda não apresentou o efeito esperado. A elevação dos preços do diesel também impacta os custos de frete em diversos setores.
Inflação anual projetada acima da meta oficial
Apesar da trégua pontual em outubro, o IPCA acumulado em 12 meses continua acima da meta estabelecida pelo governo, que é 3%, com tolerância de até 4,5%. As projeções para o acumulado em 12 meses variam de 4,70% a 4,83%, segundo instituições como Daycoval, Banco BV, Warren, ASA e Genial.
Para o fechamento de 2026, o cenário permanece desafiador, com estimativas que extrapolam o teto da meta. O ASA projeta inflação de 5,10% para o ano; o Daycoval, citando riscos climáticos no segundo semestre, elevou sua previsão para 5,0%; e a Suno trabalha com um intervalo entre 5,1% e 5,2%.
Gustavo Sung destaca que a inflação persistente em serviços intensivos em mão de obra e o ambiente global restritivo tornam a condução da política monetária complexa, limitando a margem do Banco Central para novos cortes na taxa Selic, que atualmente está em 13,75%.
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