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Empresários brasileiros veem vitória de Flávio Bolsonaro como

Licença do governo americano é etapa essencial para projetos no setor energético venezuelano, dizem fontes; relação de Flávio Bolsonaro com Trump é vista como vantagem.

Empresários brasileiros que atuam no setor energético da Venezuela consideram que uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na presidência do Brasil poderia facilitar e acelerar o processo de obtenção de autorizações do Departamento de Estado dos Estados Unidos para investimentos naquele país. Segundo fontes ouvidas sob reserva, a licença americana tornou-se uma etapa central para os projetos de empresas brasileiras que desejam atuar no setor de óleo e gás venezuelano, que concentra cerca de 20% das reservas petrolíferas mundiais.

Desde janeiro de 2026, a exigência do "ok" do governo americano para operações no setor energético da Venezuela representa um desafio para as companhias brasileiras, especialmente diante da tutela exercida pelos EUA sobre o regime liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Nesse contexto, a proximidade política e pessoal de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente Donald Trump é vista como potencial facilitadora para a aprovação das operações brasileiras em Caracas, considerando que a diplomacia atual brasileira, sob o governo Lula, tem menor influência nas negociações relacionadas ao país vizinho.

Pelo menos três empresas brasileiras já estão presentes no mercado petroleiro venezuelano: a holding Alvorada, desde 2023 explorando campos na região do Orinoco; a Globe, do grupo dos irmãos Wesley e Joesley Batista, participando da joint venture Petrororaima; e a Eneva, maior operadora privada do segmento no Brasil, que mantém acordo com a americana Halliburton para identificação de áreas de exploração.

As companhias têm enfrentado uma reavaliação dos contratos de participação produtiva na Venezuela, processo que busca excluir indivíduos e empresas relacionados ao regime vetado pelos EUA, como agentes vinculados a Cuba e Irã. A gestão dos novos acordos conta com a atuação de representantes americanos diretamente na sede da estatal PDVSA, o que reforça a importância do aval dos EUA para as operações brasileiras naquele mercado.

Além do petróleo, empresários também avaliam o potencial de outras áreas da economia venezuelana, como construção civil, formação profissional, agricultura e infraestrutura aérea, que podem gerar oportunidades para empresas brasileiras durante uma fase de reabertura econômica e transição política no país. A retomada de relações diplomáticas inclui a liberação de presos políticos e a reforma do sistema judicial venezuelano, embora a possibilidade de novas eleições presidenciais só seja prevista oficialmente para o fim de 2028.

Em nota, a holding Alvorada afirmou que a continuidade do governo atual brasileiro manteria o padrão nas relações bilaterais, enquanto uma mudança tenderia a aproximar o Brasil da agenda americana para a região, facilitando o ingresso de mais empresas nacionais no setor. Globe e Eneva preferiram não comentar sobre influência eleitoral nos investimentos.

Contexto político e econômico

A Venezuela vem experimentando uma reabertura econômica gradual desde o início do ano, com modificações nas leis do setor energético e redução das sanções americanas. As maiores petroleiras estrangeiras no país, como Chevron, Repsol e Eni, ainda dominam as operações, mas renegociações contratuais e parceria com empresas americanas são estratégias adotadas para garantir permissões de exploração com apoio de Washington.

O país produz atualmente cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, uma queda em relação a décadas anteriores, quando os níveis ultrapassavam 3 milhões de barris diários. O cenário atual reflete uma combinação de fatores econômicos, políticos e de sanções internacionais que afetam o desempenho do setor.

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