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Eleições 2026 impulsionam gráfica paulista em 25%

Setor gráfico registra aumento expressivo nas encomendas de materiais eleitorais, retomando fôlego financeiro após períodos de retração.

A indústria gráfica no estado de São Paulo vivenciou um crescimento significativo em 2026 impulsionado pelas eleições realizadas neste ano. Proprietário da gráfica Leograf, localizada em Osasco, Fabio Gabriel dos Santos relatou que sua empresa funcionou em três turnos para atender à demanda do período eleitoral, com encomendas que ultrapassaram 100 milhões de folhetos de quatro páginas feitos para um partido cujo nome ele optou por não revelar.

Fabio Santos, que também exerce o cargo de vice-presidente do Sindigraf-SP (Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo), destacou que além da maior encomenda, outras siglas solicitaram expressivo volume de santinhos, panfletos e encartes para as campanhas. O número de folhetos impresso correspondeu a cerca de 63% dos 158,7 milhões de eleitores brasileiros registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo estimativa de Julião Flaves Gaúna, presidente nacional da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), a receita do setor gráfico apresentou um acréscimo de 25% em relação ao ano anterior, atribuído principalmente ao aumento nas encomendas de material impresso para candidatos. Ele ressaltou que esse crescimento oferece um importante fôlego financeiro para os primeiros meses de 2027.

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Contexto do setor e efeitos da pandemia

O avanço no setor ocorre após anos de retração na produção física da indústria gráfica. Dados apontam que no primeiro semestre de 2025 houve uma queda de 4,3% na produção, principalmente nas atividades de impressão de revistas, livros e outros materiais que estão sendo gradualmente substituídos por meios digitais. A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, com uma redução de 25% na produção no ano de 2020 e queda de 38,7% nas atividades de impressão, uma perda até agora não recuperada.

Diante desse cenário, o mercado gráfico tem buscado diversificação, investindo na impressão de catálogos, embalagens, rótulos e etiquetas para compensar as perdas. As eleições de 2026, ao gerar uma demanda considerável por materiais impressos de campanha, representaram uma importante oportunidade para o setor.

Fatores que motivaram o aumento da demanda por material impresso

Apesar do crescente protagonismo das redes sociais nas campanhas eleitorais, com milhões de visualizações e curtidas, as campanhas adotaram uma estratégia híbrida de comunicação. Segundo Fabio Gabriel dos Santos, a desconfiança da população em relação às mensagens recebidas via WhatsApp levou os partidos a investirem mais em materiais impressos, considerados mais confiáveis pelos eleitores. Isso contribuiu para o aumento da receita das gráficas.

O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou que o sistema eleitoral, que exige cinco votos diferentes em cargos majoritários e proporcionais e proíbe o uso do celular na cabine de votação, tornou os santinhos um elemento importante para auxiliar o eleitor na identificação dos candidatos. Ele também apontou que a maior fragmentação e competitividade do pleito estimulou a intensificação da distribuição desses materiais para alcançar o eleitorado em várias regiões.

Desafios e dinâmica do setor gráfico eleitoral

O crescimento observado não foi uniforme entre todas as gráficas. Conforme relatos, as maiores encomendas concentraram-se em gráficas de maior porte capazes de imprimir e entregar materiais volumosos em prazos muito curtos, chegando a produzir encomendas entregues às 8h da manhã após pedidos feitos às 19h do dia anterior. Essa agilidade e capacidade logística não estão ao alcance de todas as empresas do setor.

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