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Criador do Orkut lidera campanha pelo relançamento da rede

Orkut Büyükkökten, fundador da rede social popular no Brasil nos anos 2000, articula retorno da plataforma e comenta atuação das redes sociais nas eleições.

Orkut Büyükkökten, engenheiro turco criador da rede social Orkut, que ganhou grande popularidade no Brasil durante os anos 2000, encabeça um movimento para o retorno oficial da plataforma. A rede que foi desativada em 2014 pelo Google está sendo relançada com foco em conexões humanas e menor priorização do engajamento por algoritmos, destacou o fundador em entrevista concedida à Folha.

Para mobilizar apoiadores, Orkut iniciou uma petição online que, até o dia 21 de outubro de 2026, contava com cerca de 467 mil assinaturas vindas de 165 países. O Brasil lidera em apoio, com 61,9% das assinaturas, seguido por Portugal e Irlanda. O criador ressalta que quanto maior o número de adesões, mais rápido será possível relançar a plataforma, embora não tenha estipulado uma data ou meta específica para isso.

Críticas às plataformas atuais e impacto social

Orkut Büyükkökten afirmou que a internet atual tomou um "rumo errado" devido ao foco excessivo das plataformas em capturar a atenção dos usuários por meio de feeds baseados em engajamento, o que, segundo ele, resultou em geração de solidão e ansiedade, especialmente entre crianças e jovens. Ele também aponta a inteligência artificial como agravante, especialmente pela proliferação de conteúdos gerados automaticamente, robôs, deepfakes e a erosão da percepção de interação real nas redes.

Ao criticar as redes sociais atuais, o engenheiro defende uma internet baseada nas pessoas e em comunidades reais que promovam valores como gentileza, amizade e confiança. Ele destaca ainda que os usuários mais sentem falta das comunidades do Orkut, já que nelas as pessoas são membros ativos e não meros espectadores passivos de um feed.

Posição sobre regulação, responsabilidade e eleições

Apesar das críticas, Orkut não apoia a regulação estatal das redes sociais, questionando a confiabilidade das políticas se medidas ficarem nas mãos de governos com diferentes orientações políticas. Para ele, a autorregulação das plataformas é crucial, com as próprias empresas responsáveis por desenvolver ferramentas de checagem de fatos e combate à polarização, desinformação e discurso de ódio.

A respeito da atuação da Meta (empresa que controla Facebook e Instagram) nas eleições, ele menciona que a empresa favoreceu Donald Trump nos Estados Unidos e alerta para o perigo de plataformas tomarem partido, o que pode comprometer os processos democráticos. Büyükkökten enfatiza que a plataforma deve ser imparcial, deixando os usuários decidirem, e critica a influência da desinformação e fake news no pleito eleitoral.

O novo Orkut e modelo de negócio

O relançamento da plataforma visa uma otimização orientada à felicidade, conexão e comunidade, em contraponto aos modelos atuais baseados em maximização do engajamento para lucro publicitário. Orkut destaca a importância de pequenos negócios e marcas, que terão espaço na nova rede para criarem comunidades e interações significativas, diferente do que ocorre nas plataformas atuais, onde o alcance está diretamente atrelado ao investimento financeiro.

Além disso, o criador manifesta interesse em apoiar o retorno dos jogos que foram populares no Orkut original, como Farmville e Buddy Poke, considerando esses elementos fundamentais para o entretenimento e formação de comunidades.

Orkut Büyükkökten assume parte da responsabilidade como pioneiro da web e da rede social que presenciou crescimento exponencial, mas esclarece que o modelo atual de otimização por engajamento, que alimenta emoções negativas e desinformação, não fazia parte do design original do Orkut.

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