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Corte de juros pode impulsionar R$ 4,9 bilhões nos lucros das empresas da Bolsa, com destaque para utilities

Levantamento do Itaú BBA mostra que redução nas taxas de juros deve ampliar resultados das companhias listadas no índice IBX em 2027.

A perspectiva de uma redução das taxas de juros no Brasil pode gerar um aumento significativo nos lucros das empresas listadas na Bolsa, conforme levantamento realizado pelo Itaú BBA. A instituição financeira indica que a queda de 1 ponto percentual nos custos das dívidas domésticas das companhias integrantes do índice IBX poderia resultar em um incremento de cerca de R$ 4,9 bilhões no lucro líquido projetado para 2027, equivalente a um crescimento de 0,9% nos ganhos agregados.

Exposição das empresas e impactos setoriais

O estudo do Itaú BBA identificou que as empresas mais líquidas da Bolsa possuem uma exposição líquida à dívida doméstica da ordem de R$ 742 bilhões, considerando os instrumentos atrelados ao CDI e ao IPCA, descontado o caixa disponível. Um cenário mais amplo, contemplando uma redução de 300 pontos-base na taxa Selic e 150 pontos-base na inflação implícita, poderia somar até R$ 12,6 bilhões aos lucros das companhias, um acréscimo de 2,3% sobre os resultados estimados para o próximo ano.

Por segmento, as utilities seriam as maiores beneficiárias de uma queda dos juros, com potencial de aumento de 4,6% nos lucros para cada redução de 100 pontos-base no custo da dívida doméstica. Os setores industrial (4,3%) e saúde (3,9%) seguem a lista com as maiores sensibilidades, enquanto o consumo discricionário também seria atingido positivamente, porém em menor escala (1,6%).

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Setores específicos e empresas com maior sensibilidade

Em valores absolutos, o setor de utilities responderia por R$ 2,3 bilhões dos R$ 4,9 bilhões de aumento projetados apenas com um corte de 100 pontos-base, quase metade do benefício total estimado para o IBX. Juntos com as indústrias, esses dois segmentos somam cerca de 64% dos ganhos previstos.

A análise indica que 71% do benefício advém da diminuição dos juros pós-fixados atrelados ao CDI, e o restante deriva das dívidas vinculadas ao IPCA.

No detalhe por companhia, a Simpar (SIMH3) apresenta a maior sensibilidade, com potencial de aumento de 39,5% no lucro pela redução de 100 pontos-base nos custos da dívida. Em seguida, aparecem Cosan (CSAN3) com 30,4%, Marfrig (MRFG3) com 28,2%, Minerva (BEEF3) com 25,7% e Ecorodovias (ECOR3) com 24,7%.

Entre as companhias com os maiores volumes absolutos de dívida doméstica, destacam-se Auren (R$ 57,5 bilhões), Equatorial (R$ 57,2 bilhões), Cosan (R$ 47,8 bilhões), Simpar (R$ 45,8 bilhões) e Sabesp (R$ 44,7 bilhões). A Equatorial chama atenção por combinar alta alavancagem com impacto significativo nos resultados, onde cada queda de 100 pontos-base nos juros pode incrementar o lucro em 14,4%.

O Itaú BBA também realça que as dívidas atreladas à inflação favorecem principalmente as empresas dos setores de energia e infraestrutura, com destaque para Ecorodovias, Eneva (ENEV3), Motiva (MOTV3), ISA Energia (ISAE4) e Taesa (TAEE11), que devem se beneficiar diretamente da redução dos juros reais.

Considerações finais

De acordo com a análise, a importância do ciclo de juros para o mercado acionário brasileiro vai além do impacto nos valuations tradicionais. A redução da Selic tende também a impulsionar diretamente os resultados das empresas, principalmente aquelas com maior endividamento e exposição à dívida doméstica, refletindo a diminuição das despesas financeiras.

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