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Comércio Exterior Brasileiro em 2026: Desafios e Propostas para o Próximo Governo

Em 2026, o Brasil mantém superávit comercial robusto, com foco em commodities e China como principal parceira, enquanto eleição presidencial indica caminhos distintos para o comércio exterior.

O comércio exterior brasileiro em 2026 apresenta forte desempenho, com exportações alcançando US$ 305,69 bilhões entre janeiro e outubro, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. O superávit comercial atingiu US$ 68,35 bilhões, crescimento de 36,8%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Apesar dos números positivos, a pauta exportadora brasileira permanece concentrada em commodities, principalmente petróleo, soja, minério de ferro, milho e proteína animal, que somam mais de 65% das exportações. O petróleo ultrapassou a soja como principal produto exportado em 2026, reflexo das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que mantêm o preço do barril Brent entre US$ 100 e US$ 110, segundo Carlos Primo Braga, professor da Fundação Dom Cabral.

Principais parceiros comerciais e riscos estruturais

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, liderando tanto em valor quanto em volume das exportações. Outras nações entre as dez primeiras incluem Estados Unidos, Argentina, Países Baixos, Índia, Espanha, México, Canadá, Singapura e Chile.

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O pesquisador Lívio Ribeiro, da FGV Ibre, destaca que a concentração de parcerias e produtos, apesar de não ser uma falha de política pública, acarreta riscos estruturais e torna a economia brasileira vulnerável a choques externos nas cadeias de demanda.

Influência das relações geopolíticas e tarifação norte-americana

Especialistas avaliam que a continuidade ou mudança na presidência, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), não deve impactar no curto prazo a relação comercial com a China devido à solidez dos contratos bilaterais. Ribeiro observa que o comércio internacional brasileiro segue uma tradição diplomática pautada na neutralidade.

Por outro lado, a imposição de tarifas protecionistas dos EUA, que somam 37,5% sobre máquinas e equipamentos brasileiros, cria desafios para a indústria nacional. Porém, segundo Alexandre Mendonça de Barros, da EY, o chamado "tarifaço" abriu oportunidades para o agronegócio brasileiro em mercados alternativos, como o Oriente Médio, que busca alternativas diante dos custos mais elevados em relação aos produtos americanos.

Diferenças nas propostas dos candidatos para o comércio exterior

Enquanto o plano de Flávio Bolsonaro enfatiza a abertura comercial, atração de investimentos privados e a entrada do Brasil na OCDE, com medidas como eliminação gradual do IOF cambial e facilitação de importações tecnológicas, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva propõe a diversificação dos mercados e agregação de valor às exportações, alinhando o comércio exterior com políticas industriais e geopolíticas multilaterais, incluindo BRICS, G20 e África.

Além disso, o programa de Lula destaca a expansão da rede de adidos agrícolas, o estímulo à internacionalização de pequenos e médios empresários e a participação em reformas de organismos internacionais para assegurar tratamento justo a países em desenvolvimento.

As estratégias distintas refletirão abordagens diferentes para enfrentar os desafios de um comércio exterior ainda concentrado, mas com oportunidades em expansão, sobretudo no agronegócio e frente a novas dinâmicas globais.

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