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Cinco empresas disputam urânio brasileiro com ex-ministros

Grupos nacionais e internacionais se movimentam para investir no urânio brasileiro enquanto governo ajusta regras para parcerias privadas.

Cinco grupos de empresas, entre estrangeiras e nacionais, estão na corrida para explorar o urânio no Brasil. Enquanto isso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva trabalha na elaboração de regras para permitir parcerias privadas com a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que atualmente detém o monopólio da exploração do minério.

Entre as companhias identificadas estão o grupo brasileiro Diamante, que conta com ex-dirigentes do governo Bolsonaro, como Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia, e Ney Zanella, ex-presidente da ENBPar, estatal responsável pelo controle da INB. A Diamante se associou à estatal russa Rosatom para formar a Nadina Minerals, com projetos de mineração no país, incluindo urânio.

Além disso, a Diamante investe no desenvolvimento de microrreatores nucleares por meio da empresa Terminus, com apoio de instituições brasileiras de pesquisa. O grupo também demonstra interesse em novas tecnologias para recuperação do urânio, usando soluções químicas aplicadas a depósitos subterrâneos.

Outras empresas com projetos no setor incluem:

  • Atlas Critical Minerals, constituída nas Ilhas Marshall e com sede operacional em Belo Horizonte, que tem uma carteira de 39 processos minerários com potencial para urânio;
  • Core Energy Minerals, australiana que desenvolve três projetos para pesquisa de urânio em Goiás, Paraíba e Rio Grande do Sul;
  • Brazilian Rare Earths (BRE), também australiana, que busca recuperar urânio associado às terras raras em seus projetos na Bahia, com planos para produção de concentrado de urânio ("yellowcake") e testes industriais previstos para 2027;
  • Energy Fuels, canadense com operações nos EUA, que iniciou o Projeto Bahia para explorar monazita, terras raras e urânio na região.

O governo ainda não finalizou o decreto que regulamenta a entrada de empresas privadas no setor. A proposta está em análise entre áreas técnicas do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Casa Civil da Presidência, envolvendo também coordenação com órgãos reguladores e avaliação dos aspectos econômicos e estratégicos.

A INB desenvolve em parceria com a ENBPar e o BNDES o Programa Pró-Urânio, que busca criar modelos para expandir o aproveitamento sustentável do urânio e minerais estratégicos no Brasil. Os modelos devem ser apresentados até o segundo trimestre de 2027, com possibilidade de lançamento de processos para seleção de parceiros privados.

Atualmente, a INB tem uma parceria com a empresa privada Galvani, por meio da Fosnor, para explorar a jazida de Itataia, no Ceará, que envolve fosfato e urânio. O empreendimento ainda depende de licenciamento ambiental e não produz comercialmente.

Além dos negócios e investimentos, especula-se a entrada da família Batista no setor nuclear, após contrato para adquirir participação da Eletrobras na Eletronuclear, que administra as usinas nucleares de Angra dos Reis.

O cenário demonstra um momento de interesse crescente por parte de diversos atores internacionais e nacionais no segmento do urânio no Brasil, impulsionado pela expectativa de atualização do marco regulatório e pela ampliação das parcerias privadas para o desenvolvimento do setor.

Tags: energia nuclearmineraçãoparcerias privadassetor energéticourânio

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