Cade aprova cisão da Azzas, separando Arezzo&Co da Soma com controle para famílias Birman e Jatahy
O Cade autorizou a reorganização que desfaz a fusão da Azzas, separando as marcas entre Arezzo&Co e Soma, retomando controle familiar.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições nesta quarta-feira (14) a reorganização societária da Azzas 2154, que promove a separação das marcas sob a gestão das empresas Arezzo&Co e Soma. Essa operação desfaz a fusão anteriormente aprovada pelo Cade em março de 2024 que originou a Azzas.
Com a nova estrutura, a Arezzo&Co retorna ao comando da família Birman, liderada por Alexandre Birman, enquanto a Soma ficará sob controle da família Jatahy, com Roberto Jatahy à frente dos negócios.
Divisão das marcas
De acordo com o acordo entre os principais sócios, a Arezzo&Co ficará responsável pelas marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas, Brizza, Carol Bassi, marketplace ZZ Mall e a Hering — esta última adquirida pelo grupo Soma em 2021 e que agora será transferida.
Por sua vez, a Soma retomará as marcas Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Foxton, Reserva (incluindo Oficina, Reserva Mini, Reserva Ink e Reserva Go) e Off Premium.
Nova sociedade para Farm Rio
A Farm Rio, considerada pelo mercado como a marca com maior potencial de venda, será realocada para uma nova sociedade independente, que englobará Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, com gestão e governança próprias. Nesta nova estrutura, a Arezzo terá 57,4% e a Soma, 42,6% do negócio, algo que as companhias avaliam como benéfico para a flexibilidade administrativa e uma possível venda futura.
Etapas e estrutura acionária da cisão
A separação se dará em três etapas: inicialmente, a divisão da Azzas em Arezzo&Co, Soma e a criação da nova empresa da Farm; depois, a Azzas fará uma cisão parcial para transferir ações da Soma aos acionistas na mesma proporção atual; e por fim, a permuta de ações entre os dois blocos. Ao final, o bloco Birman terá 32,1% da Arezzo&Co e 6,1% da Soma, enquanto o bloco Jatahy venderá sua participação na Arezzo&Co e ficará com 25,9% do capital da Soma. Os demais acionistas deterão 67,8% de cada companhia.
Atualmente, os Birman detêm 21,1% da Azzas, os Jatahy 10,2% e os fundadores da Farm, Marcello Ribeiro Barros e Kátia Ferreira de Barros, possuem 2,9%.
Contexto financeiro e motivação da cisão
A cisão ocorre após resultados financeiros fracos da Azzas, que no segundo trimestre apresentou lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% na comparação anual, e receita líquida de R$ 2,66 bilhões, redução de 8,2%. A decisão também encerra disputas internas entre os principais sócios, especialmente relacionada à gestão da grife Reserva.
O Cade avaliou que a operação promove uma "desconcentração econômica", visto que as relações concorrenciais entre as marcas já existiam antes e a participação conjunta no mercado estava abaixo de 20%.
Aspectos regulatórios e futuros passos
A conclusão da cisão está condicionada ao registro do retorno da Soma à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como companhia aberta e à aprovação para listagem das ações da Soma no Novo Mercado da B3.
Segundo comunicado da Azzas, o acordo entre os acionistas de referência visa preservar o valor construído, encerrar controvérsias e permitir que cada conjunto de negócios se desenvolva plenamente.
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