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Banco Central do Paraguai intervém no Ueno Bank e presidente renuncia ao cargo

Queda do índice de solvência levou à intervenção do Ueno Bank, com renúncia do presidente do Banco Central, mantendo-se até a conclusão do processo.

Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central do Paraguai anunciou nesta terça-feira (3) a intervenção no Ueno Bank após o índice de solvência da instituição financeira cair abaixo do nível mínimo exigido. A medida prevê a liquidação das operações do banco e a transferência de seus ativos e passivos para outra instituição.

O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, que ocupou o cargo de presidente do Ueno Bank até agosto de 2023, apresentou sua renúncia, porém permanecerá na presidência do Banco Central durante o processo de resolução.

Carvallo declarou que sua saída ajudará a tranquilizar a controvérsia em torno do Banco Central do Paraguai, permitindo que a autoridade supervisora e a Superintendência de Bancos realizem seu trabalho sem interferências políticas e midiáticas.

A queda do Ueno Bank representa um golpe para o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que possui perfil alinhado a interesses empresariais. Peña foi investidor da holding do Ueno até março de 2025 e indicou Carvallo para a chefia do Banco Central em 2023.

Clientes do banco, incluindo aposentados que recebem seus pagamentos pela instituição, enfrentaram aglomerações nas agências fechadas, expressando ansiedade sobre o futuro dos seus depósitos. O Banco Central garantiu a cobertura de depósitos até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (cerca de R$ 189 mil, na cotação de 03/11) por cliente e afirmou que a situação é isolada e não representa problemas generalizados no sistema financeiro paraguaio.

Também nesta terça-feira, a Procuradoria do Paraguai solicitou a abertura de investigação criminal referente à situação do Ueno Bank.

O banco, fundado em 2021 como fintech, ganhou rapidamente licença bancária e passou a atender mais de 60% dos adultos do Paraguai, tornando-se um dos maiores bancos do país com cerca de 3 milhões de clientes. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, enfrentou nos últimos meses críticas por supostos empréstimos excessivos a empresas do grupo, impactando sua reputação e a confiança dos investidores.

O governo de Peña também aumentou substancialmente os depósitos públicos no banco, chegando a mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões, na cotação de 03/11), o que representa quase um terço do total dos depósitos do Ueno Bank.

O episódio representa um desafio à imagem do Paraguai como destino para investimentos estrangeiros na América do Sul, especialmente diante de críticas que apontam para persistência de corrupção e influência política sobre instituições como o Judiciário e o setor empresarial.

Parlamentares oposicionistas anunciaram intenção de abertura de processo de impeachment contra Peña e seu vice-presidente, embora o partido governante possua maioria para barrar a iniciativa.

Tags: Carlos CarvalloParaguaiSantiago PeñaUeno Bankbanco central

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