Airbus prevê necessidade de quase mil novos aviões no Brasil até 2045 para acompanhar crescimento do setor
Estudo aponta que mercado brasileiro de aviação deve mais que dobrar passageiros em duas décadas, impulsionando demanda por frota maior.
Um estudo divulgado pela Airbus revela que o Brasil terá que ampliar sua frota de aeronaves de forma significativa para atender ao crescimento do mercado de aviação previsto até 2045. Segundo os dados apresentados por Arturo Barreira, presidente da Airbus para América Latina e Caribe, o número de passageiros transportados no país deve saltar de 114 milhões em 2025 para 233 milhões em 2045, um crescimento impulsionado pela expansão da nova classe média e a migração histórica do transporte rodoviário para o aéreo.
Essa projeção indica que a taxa média de viagens aéreas por habitante, atualmente em 0,5 viagem por ano, deverá dobrar para 1,0 viagem per capita em 2045. Para absorver esse aumento na demanda, a frota brasileira precisará crescer de 459 aeronaves de corredor único (narrowbody) e 133 de duplo corredor (widebody) para 855 narrowbodies e 236 widebodies, praticamente dobrando o número atual em duas décadas.
Barreira ressaltou durante o fórum ALTA AGM, ocorrido no México, que o crescimento será liderado pelo desenvolvimento econômico e expansão das classes médias regionais, além de enfatizar a importância da geografia brasileira para novas oportunidades no setor, como o uso de aeronaves de alcance estendido para conectar regiões do Nordeste brasileiro à Europa.
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Além disso, o Brasil assume destaque em relação às práticas ambientais e regulatórias na América Latina, sendo considerado o mais avançado na implementação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF). A adoção obrigatória do SAF pelas companhias aéreas brasileiras está prevista para iniciar no próximo ano, reforçando o compromisso com a descarbonização do setor.
No cenário continental, a América Latina estima a necessidade de 2.700 novos aviões até 2045, com predominância de modelos de corredor único, motivada pela ampliação da classe média na região, que deve alcançar cerca de 500 milhões de pessoas com maior propensão a viajar.
Apesar das projeções otimistas, a Airbus também aponta desafios estruturais e logísticos, como limitações da infraestrutura aeroportuária nacional e dificuldades na cadeia global de suprimentos, que afetam os prazos de entrega de novas aeronaves. Para minimizar atrasos, a fabricante aumentou suas linhas de montagem e reforçou a presença de equipes técnicas.
Barreira destacou ainda o papel fundamental do transporte aéreo para o desenvolvimento econômico e turístico na América Latina, especialmente em uma região onde o deslocamento por terra pode ser significativamente mais demorado comparado ao aéreo.
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