Presidente Lula convoca economistas para avaliar cenário econômico e política fiscal
Presidente Lula inicia encontros com economistas próximos ao PT para discutir cenários econômicos e política fiscal.
O presidente Lula (PT) deu início a uma série de reuniões com economistas e empresários para debater a política fiscal do governo, conforme apurou a Folha, nesta quinta-feira (5). O encontro inaugural contou com a presença de nomes próximos ao presidente.
Dentre os participantes estavam o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad; o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro do Planejamento Bruno Moretti; o presidente do BNDES Aloizio Mercadante; a ministra da Gestão e Inovação Esther Dweck; o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho; e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Também participaram os economistas Laura Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Moreira, fundador do portal ICL, e Guilherme Mello, secretário-executivo do Ministério do Planejamento. Esses economistas compartilham uma visão econômica alinhada às correntes de esquerda.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), apontado para a Fazenda no próximo governo, não participou da reunião.
Nas próximas semanas, Lula planeja ampliar o diálogo com outros economistas, de perspectivas ortodoxas e heterodoxas, para avaliar o cenário econômico. A iniciativa para expandir esse processo de escuta partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Durigan declarou a jornalistas que este é um esforço para diversificar diagnósticos e antecipar as propostas que o governo deverá apresentar em breve.
O governo federal enfrenta pressão de setores econômicos para a apresentação de um plano de ajuste fiscal capaz de conter a alta da dívida pública, em meio à valorização do dólar e à queda da Bolsa de Valores desde o segundo turno da eleição.
Além das reuniões com economistas, o governo também foi procurado por empresários de diversos setores, incluindo banqueiros, representantes da indústria e da construção civil, com quem pretende agendar encontros nas próximas semanas.
De acordo com informações da Folha, o pronunciamento que Lula fará neste domingo (8) vai reforçar seu compromisso com a estabilidade econômica, incluindo a preocupação com a taxa de juros e a dívida pública, além de garantir o cumprimento sustentável das promessas de campanha.
Na quarta-feira (4), o Banco Central manteve a taxa Selic, básica de juros da economia, em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos, em meio à instabilidade nos mercados pós-eleição. O Comitê de Política Monetária (Copom) citou a piora das expectativas de inflação e a desaceleração econômica para justificar a pausa.
Desde o anúncio da reeleição de Lula, a Bolsa brasileira acumulou perdas de 18% na semana passada, enquanto o dólar subiu mais de 9%, a maior alta semanal em 18 anos. Na terça-feira (3), o índice Ibovespa terminou o sexto pregão seguido em baixa, fechando no nível mais baixo desde janeiro. Na quarta (4), houve recuperação, com alta de 1,2% na Bolsa e baixa do dólar para R$ 5,45.
Parte da tensão foi alimentada pela divulgação da proposta do economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, para reduzir gradualmente a Selic para 7,5% ao ano mediante um novo conselho que coordenaria as políticas fiscal e monetária. Contudo, o ministro Durigan afirmou que a ideia de tabelar juros não está em debate no governo.
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