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Plano do governo prevê corte permanente no teto de gastos após contingenciamento

Equipe econômica pretende que contingenciamento gere redução permanente no teto de gastos para ajustar contas públicas.

Lula sanciona nesta quarta lei que prevê perdão de dívidas e aumento do teto de faturamento para MEI
Lula sanciona nesta quarta lei que prevê perdão de dívidas e aumento do teto de faturamento para MEI — Foto: Divulgação/Sebrae

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva discute uma mudança no arcabouço fiscal que torne permanente a redução do limite de gastos públicos após contingenciamento, que atualmente tem efeito temporário para o ano da medida.

A ideia é que, quando houver frustração nas receitas e for necessário congelar o orçamento, essa redução impacte também a trajetória do teto de gastos nos anos seguintes, diminuindo o espaço fiscal disponível.

Entre as medidas estudadas pela equipe econômica estão também autorizar o contingenciamento de algumas despesas obrigatórias, hoje protegidas contra cortes, para garantir a conformidade com a meta fiscal.

Em 2027, para cumprimento do alvo central da meta fiscal, o governo deverá apresentar um superávit mínimo de R$ 8,5 bilhões. A proposta busca dar instrumentos ao governo para melhorar o resultado das contas e controlar o crescimento da dívida pública.

Após reação negativa do mercado à reeleição do presidente Lula, há pressão para adoção de medidas que reforcem o equilíbrio fiscal e a confiança dos investidores. A equipe econômica busca um plano considerado crível pelo mercado, mas que respeite o compromisso eleitoral do presidente.

O momento para apresentar o plano ainda não foi definido, considerando a agenda internacional do presidente e o desejo de ouvir membros da equipe antes de tomar uma decisão final.

Uma das propostas principais é ampliar a base de despesas passíveis de contingenciamento para incluir obrigações que hoje não podem ser congeladas, aumentando a capacidade de conter gastos e melhorar o resultado fiscal.

Atualmente, o teto de despesas do ano seguinte é corrigido pela inflação mais um percentual real fixo, sem considerar contingenciamentos feitos no exercício anterior. A nova proposta faria com que o congelamento se refletisse em cortes permanentes no limite futuro.

Em 2026, por exemplo, o governo contingenciou R$ 13,65 bilhões para compensar perdas na arrecadação. Caso a nova regra seja aplicada, esse valor seria subtraído do teto para 2027, limitando o orçamento subsequente.

A alteração deverá ser feita por projeto de lei complementar, mas o governo não descarta uma proposta de emenda constitucional para outras medidas relacionadas.

Durante as discussões, técnicos avaliam possibilitar o direcionamento de parte dos recursos mínimos da Educação para a Saúde em estados com demandas específicas, como maior população idosa, sem unificar os pisos de forma total.

Essa proposta ainda não foi decidida pelo Executivo e poderá ser tema de iniciativa pelo Congresso.

Com as medidas, o governo pretende manter a sustentabilidade das políticas sociais ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de controlar a dívida pública e garantir credibilidade fiscal no mandato que se inicia.

Tags: EconomiaGoverno Lulaarcabouço fiscalcontingenciamentoteto de gastos

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