Origem do termo "inteligência artificial" e a proposta de Donald Trump para substituí-lo por "superinteligência"
Termo criado em 1955 por pesquisadores que buscavam máquinas capazes de raciocinar; Trump sugere mudança com motivações políticas, dizem especialistas.
O termo "inteligência artificial" surgiu em 1955 a partir do trabalho de um grupo de pesquisadores norte-americanos que buscavam desenvolver máquinas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência humana. Entre esses pioneiros estavam John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, especialistas nas áreas de matemática, engenharia e computação.
Em 1956, numa reunião realizada no Dartmouth College, nos Estados Unidos, esses cientistas concordaram em adotar o termo "inteligência artificial" para designar o campo de estudo voltado para o desenvolvimento de máquinas com capacidades análogas ao raciocínio humano. Apesar da convergência na nomenclatura, divergiam em relação às estratégias para alcançar tal objetivo, algumas defendendo sistemas reativos ao ambiente, outras apostando em abordagens estatísticas e probabilísticas para aprendizagem automatizada.
Décadas antes disso, já nos anos 1940 e 1950, trabalhos do matemático Alan Turing e do matemático Norbert Wiener (criador do termo "cibernética") estabeleceram bases teóricas que viriam a influenciar o campo. Contudo, a expressão "inteligência artificial" foi oficialmente cunhada por John McCarthy justamente para dar identidade própria a esse ramo distinto da cibernética.
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Proposta de mudança feita por Donald Trump
Em 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou atenção ao anunciar a intenção de substituir o termo "inteligência artificial" pelo de "superinteligência". Segundo ele, a expressão atual sugere que a tecnologia não é real ou eficaz, e defende que todos os documentos oficiais dos EUA, e potencialmente do mundo, passem a adotar a nova nomenclatura.
Trump chegou a realizar enquetes em sua rede social, propondo alternativas como "Inteligência Superior", "Inteligência Extrema" e "Inteligência Suprema", mas a expressão "superinteligência" foi a escolhida para defender publicamente, indo inclusive ao ponto de anunciar que trataria como "inimigo" quem continuasse usando o termo tradicional.
Reações de especialistas e motivações por trás da mudança
Especialistas brasileiros ouvidos pelo g1 avaliam que a proposta de alterar o nome da tecnologia não corresponde a um avanço científico, mas antes a uma manobra política ligada à disputa pela liderança tecnológica global, principalmente entre os EUA e outras potências. Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, destaca que o conceito de inteligência, mesmo na ciência, permanece sem definição precisa, e a mudança de nome parece mais um ato político do que uma contribuição técnica.
Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, também vê a iniciativa como uma estratégia de marketing para chamar atenção, sem efeitos práticos concretos. Allan Pscheidt, pesquisador em IA, compara o momento atual com a corrida espacial, interpretando a tentativa como um sinal de que os EUA querem afirmar sua soberania tecnológica ao indicar que alcançariam em breve a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI).
Impactos para a percepção pública
Além das controvérsias quanto à viabilidade da mudança, pesquisadores alertam para possíveis efeitos negativos sobre a aceitação da tecnologia pela população. O termo "superinteligência" pode soar ameaçador e aumentar a rejeição ao desenvolvimento da IA, que já enfrenta resistência no Brasil e nos Estados Unidos, conforme levantado por Cleber Zanchettin.
Pesquisas recentes revelam que mais da metade dos brasileiros (52%) demonstram mais preocupação do que entusiasmo com o avanço da inteligência artificial. Nos EUA, cerca de 90% dos entrevistados na pesquisa da CNN expressam temores em relação ao potencial da IA superar a inteligência humana.
Assim, a mudança da nomenclatura, além de difícil do ponto de vista técnico e científico, pode intensificar a desconfiança e o medo em torno da tecnologia, o que impacta negativamente sua integração social e desenvolvimento responsável.
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