Brasil sai do Mapa da Fome, mas 44,8 mi sem comida saudável
Apesar de sair do Mapa da Fome, 44,8 milhões de brasileiros não conseguem pagar dieta saudável, aponta relatório da ONU.
O Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome em 2025, conforme anúncio da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, um relatório da agência da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO) revela que 44,8 milhões de brasileiros ainda não conseguem pagar por uma alimentação saudável. Este grupo representa cerca de um quinto da população do país.
No período de 2023 a 2025, 20,3 milhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave, um recuo em relação aos 39,7 milhões registrados no triênio anterior. Essa insegurança reflete a dificuldade de acesso a alimentos nutritivos em quantidade suficiente para a manutenção da saúde.
A dificuldade está associada a fatores econômicos como baixos salários, informalidade e renda instável, influenciando diretamente a capacidade das famílias de adquirirem alimentos equilibrados. Especialistas apontam ainda que políticas públicas têm enfrentado desafios para atingir e manter o atendimento contínuo às populações em maior vulnerabilidade.
Custo crescente da alimentação saudável
O custo médio diário para uma dieta saudável no Brasil subiu para 4,89 dólares internacionais por pessoa em 2025, contra 3,97 dólares em 2021. Essa cesta alimentar inclui cereais, frutas, verduras, leguminosas e proteínas nas quantidades recomendadas pela ONU.
Os reajustes do salário mínimo contribuíram para melhorias na renda, mas não foram suficientes para acompanhar a alta dos preços dos alimentos frescos, que tendem a ficar mais caros devido a custos de transporte e armazenamento refrigerado. Em contrapartida, os alimentos ultraprocessados são mais baratos e consumidos em maior quantidade, principalmente em periferias urbanas, dificultando uma alimentação saudável.
Produção agrícola e distribuição desigual
Especialistas alertam que a pesquisa agropecuária nacional prioriza commodities para exportação, como soja e milho, enquanto alimentos básicos e hortaliças enfrentam investimentos limitados. Isso impacta o custo e a disponibilidade de produtos frescos no mercado interno.
Além disso, cerca de 25 milhões de brasileiros vivem em desertos alimentares, locais com acesso restrito a alimentos frescos, elevando a dependência dos ultraprocessados. A integração da produção local à venda direta, com feiras livres e apoio à agricultura familiar – responsável por 60% da produção de hortaliças – é apontada como caminho para ampliar o acesso a dietas mais saudáveis.
Integração de políticas públicas para combater a fome
O governo federal implantou o Protocolo Brasil Sem Fome, que busca integrar serviços de saúde, assistência social e segurança alimentar para alcançar populações em extrema vulnerabilidade. A meta é criar uma rede de proteção contínua e efetiva, acompanhando os beneficiários e facilitando o acesso aos programas sociais.
Especialistas recomendam ainda a busca ativa dessas famílias, cruzando dados de diferentes setores públicos para identificar e solucionar barreiras no acesso aos direitos e serviços.
As ações para ampliar o acesso à alimentação saudável e reduzir a insegurança alimentar dependem da continuidade das políticas públicas, da elevação da renda da população e do investimento em produção agrícola destinada ao mercado interno.
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