Avaliação de cotas reprovam uma das gêmeas idênticas no ES
Natália foi reprovada na heteroidentificação, enquanto a irmã idêntica, Naiara, foi aprovada no concurso da Polícia Civil do Espírito Santo.
Natália e Naiara Mendes Ferreira, gêmeas idênticas, tiveram resultados diferentes na avaliação de cotas raciais do concurso para Oficial Investigador de Polícia da Polícia Civil do Espírito Santo. Natália foi considerada inapta na heteroidentificação — procedimento que verifica características fenotípicas em candidatos que se autodeclaram negros ou pardos — enquanto sua irmã Naiara foi aprovada.
O resultado preliminar foi divulgado em 27 de outubro de 2026 e apontou que 201 candidatos foram considerados inaptos nesta etapa da seleção. Natália e Naiara passaram pela avaliação no mesmo dia, mas em bancas distintas e usando roupas da mesma tonalidade, sem maquiagem. A avaliação consistiu em exposição diante de uma câmera, declaração dos dados pessoais e da autodeclaração racial, realizada sem perguntas adicionais.
A advogada especialista em direito antidiscriminatório Jéssica Wanzeller destacou que a heteroidentificação analisa traços físicos visíveis, como cor da pele, textura do cabelo e traços faciais, de forma a respeitar a neutralidade e o processo rigoroso. Segundo ela, a subjetividade é o principal desafio do procedimento e que os avaliadores devem representar diversidade para garantir justiça e precisão na seleção.
Natália Ferreira relatou surpresa e choque com o resultado, pois ela e a irmã já haviam passado por avaliações similares em outros concursos, inclusive na Polícia Penal em 2025, sempre sendo aprovadas. "Ter a minha irmã aprovada me conforta, estou confiante no recurso que entrei", declarou.
Outro candidato, Gilson de Oliveira Faria, de 27 anos, também foi considerado inapto na heteroidentificação. Ele relatou diferença no procedimento em relação a outro concurso, em que sua autodeclaração e foto foram aceitas sem necessidade de avaliação presencial. Gilson afirmou que pretende recorrer e ressaltou a repercussão negativa entre os candidatos reprovados.
O Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo (Ibade), organizador do concurso, informou que a avaliação seguiu as diretrizes do edital e que as análises foram gravadas em vídeo, realizadas por bancas compostas por cinco membros. O prazo para recursos terminou em 29 de outubro de 2026. O Ibade não detalhou os critérios para a diferenciação entre as gêmeas ou forneceu o vídeo das avaliações.
A Polícia Civil do Espírito Santo declarou que a avaliação da heteroidentificação é responsabilidade exclusiva do Ibade.
O concurso oferece 1.052 vagas para Oficial Investigador de Polícia (OIP). Após provas objetivas aplicadas em fevereiro de 2026 e etapas como teste físico, exames de saúde e avaliação psicológica, a heteroidentificação ocorreu em outubro, paralelamente à investigação social. O resultado final está previsto para 11 de novembro de 2026.
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