Prefeita de Bauru se posiciona após prisão do marido e nega irregularidades em licitação bilionária
Suéllen Rosim afirmou que não responde por mensagens interceptadas e rejeitou desvios na gestão do lixo investigados pelo Gaeco.
A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), divulgou nesta terça-feira (20) um vídeo em que se manifesta pela primeira vez após a prisão do marido e ex-secretário de Governo, Renato Purini, ocorrida no dia 16 de outubro durante a Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
No pronunciamento, Suéllen afirmou que utilizou os últimos dias para assimilar os acontecimentos, cuidar da família e da gestação, e ressaltou que não pode ser responsabilizada por mensagens interceptadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no âmbito das investigações.
Ela negou a existência de desvios de recursos públicos e a assinatura de contrato bilionário relacionado à gestão do lixo na cidade, objeto principal das apurações que envolvem um projeto estimado em R$ 5,2 bilhões para 30 anos.
Investigação e prisão do ex-secretário
Renato Purini está preso preventivamente sob suspeita de integrar esquema de organização criminosa para fraudar licitação na gestão dos resíduos sólidos de Bauru, utilizando sua influência política para pressionar vereadores a aprovar o projeto que favoreceria a empresa Estre Ambiental.
Interceptações indicam que Purini teria recebido pagamentos indevidos da Estre, ocultados por meio de um intermediário, segundo as autoridades. Ele também teria realizado ações para fiscalizar e coagir parlamentares durante a tramitação do projeto.
Documentos do MP apontam que, na madrugada da prisão, Purini circulou de carro próximo a órgãos públicos e trocou de celular logo após a primeira etapa da operação, o que está sendo investigado como tentativa de dificultar as ações policiais, embora a simples troca de aparelho não configure, isoladamente, destruição de provas.
Manutenção da prisão e investigação em curso
O Tribunal de Justiça indeferiu o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-secretário, mantendo a prisão preventiva devido à gravidade das acusações, que envolvem organização criminosa, corrupção passiva e ativa, falsidade documental e fraude em licitação.
Após a detenção, a prefeita Suéllen Rosim exonerou Purini do cargo de secretário.
Contexto da operação e envolvimento de outros investigados
A investigação do Gaeco, iniciada em março a partir de denúncias envolvendo ameaças a catadores de materiais recicláveis, revelou um esquema para fraudar a licitação da concessão da gestão de resíduos de Bauru, com suposta participação de agentes públicos e privados.
A ex-secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Bordezan, também está sob investigação, com suspeita de relação amorosa com o CEO da Estre Ambiental, o que teria permitido interferência da empresa em documentos oficiais para favorecer a concessão.
Outros presos na operação encontram-se sob prisão preventiva ou domiciliar, enquanto as apurações continuam para identificar novos envolvidos e possíveis crimes conexos.
Em nota, a assessoria jurídica da prefeita destacou que ela vem adotando medidas administrativas de forma responsável, transparente e imparcial, confiando na elucidação dos fatos, e que seguirá exercendo suas funções frente ao município.