Operação Cavalo de Troia investiga fraude bilionária em licitação do lixo em Bauru
Gaeco apura suspeita de organização criminosa com prisões de secretários e empresários em esquema que favoreceu empresa na concessão da gestão de resíduos.
A Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, investiga um esquema de fraude e direcionamento na licitação dos serviços de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos em Bauru (SP), estimada em R$ 5,2 bilhões e com duração prevista de 30 anos.
As investigações começaram após denúncias de ameaças a catadores ligados à Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam), cuja presidente, Gisele Moretti, e seu marido, o empresário Valdomiro Pereira da Silva Filho, foram detidos temporariamente na operação Mobius, que apura possíveis irregularidades em contratos de coleta seletiva.
Na sequência, a Operação Cavalo de Troia descobriu indícios de que agentes públicos e representantes da empresa Estre Ambiental teriam agido em conjunto para direcionar a licitação, com interferências que teriam ocorrido desde a fase de elaboração dos estudos técnicos até a definição dos critérios do edital.
Os principais envolvidos incluem a ex-secretária municipal de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, que teria atuado na modelagem da concessão em alinhamento com o executivo da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, ambos presos na primeira fase da operação. Em outubro, foi preso também o então secretário municipal de Governo, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim, que foi exonerado após sua detenção. Embora a prefeita não seja alvo direto da operação, ela é investigada numa Comissão Processante na Câmara dos Vereadores sobre a elaboração do edital da licitação.
Além das prisões, o Ministério Público denunciou seis investigados pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação e corrupção ativa e passiva. Documentos, mensagens e R$ 240 mil em dinheiro foram apreendidos nas residências de envolvidos, indicando pagamentos de vantagens indevidas e pressão sobre servidores.
O Tribunal de Contas do Estado suspendeu a licitação diante das irregularidades apontadas, o que impede o avanço do contrato nos moldes previstos. A Estre Ambiental declarou que colabora integralmente com as investigações e não participará da licitação. A Prefeitura de Bauru também afirma colaborar com as autoridades e reforça a transparência nas ações.
A investigação segue em curso para esclarecer a extensão do suposto esquema e definir as responsabilidades na concessão dos serviços públicos na cidade. O caso evidencia a atuação do Ministério Público e dos órgãos de controle para coibir práticas ilícitas em contratos públicos de grande vulto.