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Mercados

Mercado global perde US$ 1 trilhão em ações de IA em uma semana; analistas destacam cautela e oportunidades

Ações ligadas à inteligência artificial despencam no mundo, com queda de valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, sem sinais claros de fim da demanda.

Da 15/10/2026 às 13h14  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 13h16

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) registraram uma queda significativa globalmente nesta semana, acumulando perdas que ultrapassam US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o início dos negócios. A situação ganhou destaque após o pior pregão de Wall Street desde julho, seguido pelo recuo de 7,6% da bolsa de valores da Coreia do Sul, que chegou a interromper as negociações temporariamente.

O movimento de venda no setor foi impulsionado pela divulgação da inflação americana acima do esperado, reforçando especulações sobre novas elevações nas taxas de juros nos Estados Unidos. Juros mais altos encarecem o custo de financiamento para empresas, incluindo aquelas que investem na construção de data centers e na aquisição de chips, fundamentais para operações de IA.

Reações e perspectivas do mercado

Entre as empresas mais impactadas está a CoreWeave, especializada em aluguel de capacidade computacional para IA, que viu suas ações cair 15% em apenas um dia. A consultoria Gartner projetou que mais de 80% das ações atualmente em operação no setor de IA e semicondutores deixarão de existir de forma independente até 2030. Paralelamente, o Fundo Monetário Internacional alertou para possíveis consequências globais decorrentes de uma correção nesse segmento.

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Apesar da queda, dados recentes da empresa Anthropic indicam previsão de receita robusta de US$ 16,8 bilhões para o terceiro trimestre, o que sinaliza crescimento ainda relevante, embora em ritmo mais lento que o esperado. A combinação de dados faz com que investidores busquem segurança nos títulos do Tesouro americano, considerando o rendimento do papel de 10 anos em 5,08%, o menor nível em três semanas.

Para especialistas do Goldman Sachs, apesar do recuo das ações de neoclouds – empresas que oferecem infraestrutura em nuvem para IA –, não há indicativos claros de diminuição da demanda por computação intensiva. O desafio reside na disponibilidade de capital para financiar essa expansão, dado o ambiente de crédito mais restrito.

Recomendações para investidores

Analistas recomendam cautela e seleção criteriosa dos ativos no setor. O Goldman Sachs aponta que empresas com balanço sólido e fornecimento garantido de energia têm se destacado, enquanto concorrentes mais alavancados enfrentam maior volatilidade. O BNP Paribas indicou uma postura de compra em ações americanas e de tecnologia, com ênfase em empresas robustas financeiramente e com potencial claro de geração de caixa.

A BlackRock rebaixou a avaliação das ações americanas para neutra, adotando uma estratégia conservadora em relação à volatilidade ligada à inteligência artificial, mas mantém a convicção sobre o tema no longo prazo, aguardando oportunidades para novas compras.

Especialistas também ressaltam a importância da diversificação da carteira para mitigar riscos. Marina Valentini, do JPMorgan Asset, destacou que as dez maiores empresas de tecnologia representam cerca de 40% do índice S&P 500, o que aumenta o impacto das oscilações para investidores com portfólios concentrados.

Possibilidades de investimento no Brasil

No mercado brasileiro, investidores podem acessar o setor de inteligência artificial por meio de BDRs (recibos de ações estrangeiras) de empresas como Nvidia e TSMC, além de ETFs temáticos que englobam tecnologia e robótica. Esses instrumentos acompanham o dólar, adicionando um componente de risco cambial à oscilação dos preços.

Outras opções são ETFs de tecnologia negociados diretamente na B3, como UTEC11 e CHIP11, que seguem índices de tecnologia dos EUA e de fabricantes de semicondutores, respectivamente, incluindo grandes nomes do setor de IA.

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