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Adolescência na era digital: desafios e diálogo em meio à hiperconectividade

O comportamento dos adolescentes hiperconectados afeta relações familiares, autoestima e comunicação, exigindo atenção e diálogo.

 ·  Atualizado em 22/10/2026 às 03h18

Crescer em uma geração marcada pela hiperconectividade representa um novo cenário repleto de desafios para adolescentes, famílias e educadores. O uso centralizado do celular, sobretudo durante a pandemia, modificou a rotina dos jovens e gerou transformações profundas nas relações pessoais e familiares.

Especialistas ouvidos pela série "Essa Tal de Adolescência" destacam que essa fase da vida tornou-se mais complexa com a presença constante das telas, já que as interações sociais tradicionais sofreram uma interrupção significativa durante o período pandêmico. A convivência presencial deu lugar a conexões mediadas por dispositivos, alterando a dinâmica da convivência familiar e social.

Em Recife, um projeto social existente há 25 anos propõe uma alternativa à hiperconexão: durante suas atividades, os celulares dos jovens ficam desligados, promovendo encontros presenciais e a desaceleração do uso das tecnologias. Participantes relatam que essa prática lhes proporciona vínculos mais autênticos e melhora a confiança.

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Para muitas famílias, o celular funciona como uma forma de monitoramento e proteção, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. No entanto, há preocupação com o tempo excessivo de uso, que pode chegar a seis ou sete horas diárias, segundo relatos.

O distanciamento social imposto pela pandemia também significou para os jovens a troca da amizade presencial pelas conexões virtuais, um processo que comprometeu aspectos fundamentais da adolescência, como o convívio e a construção de redes sociais reais.

Além disso, estudantes no Rio de Janeiro produziram um curta-metragem que trata da dificuldade de comunicação entre mães e filhas adolescentes em meio ao isolamento tecnológico, tema que reflete experiências reais das famílias e ganhou identificação entre os espectadores.

Outro ponto criticado por especialistas é a pressão ampliada pelas redes sociais sobre a aparência e a busca por aceitação. A comparação contínua com padrões de beleza virtuais e o uso frequente de filtros digitais têm sido associados a transtornos de imagem e ao risco de sintomas depressivos entre os jovens.

A educadora e psicanalista Carolina Delboni ressalta que a necessidade de aprovação social na atualidade ganhou dimensões inéditas, já que o espaço de convivência escolar se ampliou ao infinito mundo virtual, multiplicando cobranças e expectativas.

Famosos como a atriz Ingrid Guimarães e sua filha Clara exemplificam os ruídos e diferenças geracionais na comunicação entre pais e filhos. Para os especialistas, fortalecer os vínculos afetivos e criar espaços de diálogo é fundamental para lidar com as mudanças trazidas pela tecnologia.

O cenário digital, marcado por algoritmos e conexões constantes, exige dos adultos uma postura de escuta, acolhimento e gentileza para compreender os jovens e apoiá-los no processo de crescimento.

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