São Paulo lança protocolo com atendimento rápido e uso de adrenalina para corridas de rua após morte de corredor
Prefeitura de São Paulo institui regras para atendimento médico em provas de corrida com prazo máximo de 3 minutos para primeiros socorros e estrutura reforçada.
A Prefeitura de São Paulo instituiu o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, que entrará em vigor a partir de 12 de dezembro de 2026. A iniciativa visa padronizar e fortalecer o atendimento médico durante provas realizadas na capital paulista, especialmente após o falecimento de um corredor durante a SP City Marathon, em julho deste ano.
O protocolo define critérios rigorosos para o primeiro atendimento ao atleta, estabelecendo intervalos máximos conforme o risco da competição, com o primeiro socorro sendo realizado em até três minutos por profissional habilitado para suporte básico de vida. Além disso, o documento prevê a alocação estratégica de desfibriladores externos automáticos (DEA) distribuídos ao longo dos percursos, com distância máxima entre os pontos de atendimento variando entre 800 metros e 2 km, dependendo do nível de risco do evento.
Classificação de risco e estrutura mínima
Uma inovação do protocolo é a criação de uma classificação municipal de risco para todas as corridas de rua. Os eventos são classificados em quatro níveis — baixo, médio, alto e risco especial — com base em oito fatores, como número de participantes, distância e condições ambientais. Algumas situações elevam automaticamente o risco para a categoria especial, como maratonas com mais de 15 mil corredores, temperaturas previstas iguais ou superiores a 36ºC, ultramaratonas, locais com acesso terrestre limitado para ambulâncias ou eventos com público estimado acima de 50 mil pessoas.
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A estrutura médica exigida varia conforme a classificação, incluindo o dimensionamento mínimo de equipes e ambulâncias. Para cada 2 mil atletas adicionais, o protocolo determina a inclusão de um médico, dois técnicos em enfermagem e três socorristas, além de ambulâncias extras para grupos maiores.
Equipamentos e postos médicos
O documento determina que as provas com distância igual ou superior a 10 km disponham de um posto médico no último quarto do percurso, equipado com desfibrilador externo automático e equipe móvel. Todos os eventos devem contar com ao menos um posto principal na área de chegada com estrutura completa para estabilização, observação e suporte, incluindo oxigênio, monitor multiparamétrico, aspirador, adrenalina e itens para imobilização e acesso venoso.
Enfrentamento do calor extremo
O protocolo dedica um anexo específico ao controle dos riscos de calor, como desidratação e golpe de calor, monitorando fatores climáticos como temperatura, umidade, índice de calor e radiação solar. A atualização da previsão meteorológica deve ocorrer em diversos momentos antes da prova, inclusive próximo à largada. Cinco níveis operacionais orientam as medidas a serem adotadas conforme as condições ambientais.
Fiscalização e governança do protocolo
A Secretaria Municipal da Saúde conduzirá a governança do protocolo por meio de uma Comissão Técnica Permanente, responsável pela análise dos Planos de Atenção Médica, avaliação das estruturas e acompanhamento dos indicadores assistenciais das competições. A fiscalização sanitária será realizada desde o planejamento até o encerramento dos eventos.
O documento cria a categoria de "eventos sentinela", incluindo casos como mortes, paradas cardiorrespiratórias, uso de desfibriladores e falhas operacionais graves. Tais situações demandam análises técnicas específicas e podem desencadear auditorias pela Secretaria da Saúde.
Após cada prova, o responsável técnico tem o prazo de dez dias úteis para enviar um relatório consolidado detalhando dados como número de participantes, atendimentos realizados, remoções, tempos de resposta, incidentes críticos e óbitos, quando houver.
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