El Niño intensifica riscos à saúde em Ribeirão Preto, Franca e Barretos, SP, aponta plano do governo estadual
Calor, queimadas e aumento de arboviroses mobilizam o governo de SP a priorizar ações de saúde nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Barretos durante o El Niño.
O governo de São Paulo lançou em 15 de outubro de 2026 um plano estadual para enfrentar os impactos do fenômeno climático El Niño, que colocou as regiões de Ribeirão Preto, Franca e Barretos entre as prioridades para prevenção e resposta a riscos à saúde relacionados ao calor intenso, queimadas e surto de arboviroses.
Elas estão entre os oito departamentos regionais de saúde destacados para ações que previnem efeitos como desidratação, insolação, exaustão térmica e o agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, principalmente em grupos mais vulneráveis como idosos, crianças e pessoas com comorbidades.
Além dos impactos diretos do calor e queimadas, o documento da Secretaria de Estado da Saúde evidencia a preocupação com a possível elevação nos casos e nas formas graves de dengue, chikungunya e zika, incluindo maior demanda nos serviços de saúde, internações e mortes.
O plano, elaborado em agosto com 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems-SP), define uma estrutura de resposta em três níveis: mobilização, alerta e emergência, com a ativação de um Centro de Operações de Emergência conforme a necessidade.
Para as regiões afetadas, o governo prevê o envio de 45 itens de assistência farmacêutica, vacinas e soros, visando mitigar os impactos do El Niño, que foi oficialmente declarado em 11 de junho de 2026 pela NOAA, órgão americano que monitora condições atmosféricas e oceânicas.
O boletim do Painel El Niño de setembro indica 95% de chance de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com efeitos prolongando-se até o primeiro trimestre de 2027. O aumento das temperaturas e das condições secas típicas do El Niño contribuem para a piora da qualidade do ar, especialmente devido às queimadas, e agravam quadros de doenças respiratórias.
O plano ressalta que as áreas urbanas com ilhas de calor, localidades com saneamento deficiente e municípios sujeitos a enchentes e deslizamentos demandam atenção especial na estratégia de saúde pública.
O governo também classificou a Grande São Paulo, Baixada Santista e Registro como prioritárias para os riscos relacionados a chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, que não estão no foco principal das regiões de Ribeirão Preto, Franca e Barretos.
O documento inclui recomendações para que cada prefeitura estruture seu plano local de saúde para o El Niño, submetendo-o à análise do Grupo de Vigilância Epidemiológica regional. A próxima fase do programa será a elaboração de planos regionais de contingência, com participação dos municípios conforme as especificidades de seus territórios.