Especialistas debatem manter cuidado oncológico no SUS em crises
Pandemias e desastres naturais expõem fragilidades do SUS no atendimento a pacientes com câncer, exigindo ações para manter serviços essenciais.
O Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios para assegurar o atendimento contínuo a pacientes com câncer diante de crises como pandemias e desastres naturais. As interrupções em consultas, exames e tratamentos ocasionadas por emergências podem resultar em graves consequências para a população oncológica, que depende de diagnósticos oportunos e acompanhamento constante.
O câncer é a segunda principal causa de morte no Brasil, e a previsão é de que os casos aumentem significativamente até 2050, segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Diante desse cenário, não basta ampliar a capacidade de prevenção e tratamento: é essencial garantir que o sistema de saúde mantenha sua operação mesmo em situações adversas.
Prioridades para fortalecer o controle do câncer no SUS
Em um workshop realizado no Rio de Janeiro em 2025, promovido pela IARC, Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Instituto Nacional de Câncer (INCA), especialistas debateram as lições da pandemia de Covid-19 e das inundações de 2024 no Rio Grande do Sul. O objetivo foi identificar ações para fortalecer a resiliência do sistema de saúde no controle do câncer.
Foram apontadas cinco prioridades:
- Incorporar a assistência oncológica aos planos de emergência: definir quais serviços devem manter operações, reorganizar fluxos assistenciais e garantir continuidade dos tratamentos essenciais com pactuação entre União, estados e municípios.
- Fortalecer e integrar sistemas de informação em saúde: melhorar a interoperabilidade dos dados para identificar pacientes com tratamentos pendentes, monitorar interrupções e facilitar alocações entre unidades, assegurando também a proteção dos dados pessoais.
- Proteger infraestrutura e força de trabalho: incluir hospitais, laboratórios, serviços de radioterapia, transporte e suprimentos nos planos de contingência, além de preparar profissionais para atuar em condições excepcionais com protocolos e equipes de apoio.
- Planejar a recuperação assistencial com foco na equidade: priorizar pacientes com maior risco clínico e desafios de acesso, evitando ampliar desigualdades sociais já existentes.
- Garantir financiamento flexível para emergências: permitir mobilização rápida de recursos para recomposição estrutural e ampliação temporária de serviços, com responsabilidades e previsibilidade definidas.
Integração e compromisso institucional
Essas medidas visam fortalecer mecanismos já existentes no SUS e melhorar a coordenação regional sem criar estruturas paralelas. A atenção primária e as redes de cuidado constituem base importante para avançar na continuidade do atendimento oncológico.
Implementar essas prioridades exige compromisso institucional com definição clara de responsabilidades, alocação adequada de recursos, uso de indicadores para monitorar continuidade do cuidado e avaliação para transformar aprendizados em melhorias permanentes.
Diante do aumento projetado de casos de câncer e da maior frequência de crises simultâneas, a preparação do SUS para proteger o acesso ao diagnóstico e tratamento oncológico torna-se imprescindível. A resiliência nesse contexto reforça o compromisso do sistema com a universalidade e equidade no cuidado à saúde da população.
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