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MPRJ denuncia 28 PMs por crimes na Megaoperação Contenção

Ministério Público do Rio denunciou policiais militares por obstrução de câmeras, invasão de residências e furtos na Megaoperação Contenção.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 28 policiais militares por crimes cometidos durante a Megaoperação Contenção, ocorrida há um ano nos complexos do Alemão e da Penha, quando 122 pessoas morreram. As acusações foram apresentadas em doze denúncias pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), entre elas furtos, obstrução de câmeras corporais, invasão de residências e roubos de equipamentos e objetos pessoais.

Entre os denunciados está o sargento Fábio Vicente de Souza, que foi gravado escondendo sua câmera corporal na viatura por cerca de cinco horas. As imagens também mostram o PM invadindo uma casa armado contra a vontade do morador e desligando sua câmera nove vezes. Segundo apurado, ele já havia sido investigado em 2017 por possível atuação como segurança particular de operador financeiro de uma organização criminosa.

Outra denúncia envolve o sargento Diogo da Silva Souza e cinco outros policiais, que foram filmados planejando ocultar um fuzil desviado durante a operação. Áudios mostram os agentes discutindo a melhor forma de esconder o armamento em locais desérticos e registrar fotos para acobertar o fato.

Leia também: 33 alvos seguem foragidos um ano após megaoperação no Alemão

De acordo com o promotor Fábio Corrêa, coordenador do Gaesp, mais de quatro mil horas de imagens captadas pelas câmeras corporais estão sendo analisadas para identificar outras irregularidades. Entre as infrações, destaca-se a "recusa de obediência", consistente na obstrução deliberada das filmagens para esconder atos ilegais.

Além das invasões de imóveis e furtos de fuzil, também foram registrados roubos de celulares, peças de automóveis e até de um picolé da casa de um morador, conforme constam nas denúncias. Há ainda relatos de tortura, ameaças e agressões a moradores e suspeitos, de acordo com relatório divulgado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro e pelo projeto Mirante da UFF.

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