Pesquisa qualitativa sobre debate entre Lula e Flávio Bolsonaro aponta estratégias de campanha e repercussões eleitorais
Grupos focais destacaram acusações no debate e indicaram impressões divergentes sobre Lula e Flávio Bolsonaro para as campanhas finais.
O debate entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro de 2026, evidenciou uma estratégia voltada para desconstrução do adversário, com foco em aumentar a rejeição, conforme revelam pesquisas qualitativas conduzidas durante o evento.
Ao contrário da expectativa de um confronto pautado por propostas concretas para o futuro do país, a disputa foi marcada por acusações mútuas, o que causou desencantamento entre os eleitores, sobretudo aqueles que permanecem indefinidos ou que não participaram do primeiro turno.
Percepções dos eleitores: segurança, clareza e postura
Conforme levantamento do instituto Quaest, Flávio Bolsonaro foi percebido pelos entrevistados como mais seguro, direto e claro, embora tenha sido criticado por evitar responder perguntas dirigidas a Lula e por fugir de temas nos quais aparentava menor preparo.
Lula, por sua vez, foi avaliado como bem preparado para tratar de saúde, tema no qual apresentou respostas fundamentadas, mas consideradas confusas e carregadas de dados numéricos que dificultaram a compreensão geral.
As pesquisas qualitativas feitas pelas próprias campanhas trouxeram análises que se complementam:
- Grupo focal da campanha de Flávio Bolsonaro indicou que Lula demonstrou nervosismo e irritação, com dificuldades para explanar suas propostas.
- Por outro lado, a mesma pesquisa apontou que a postura de Flávio, posicionando-se atrás da câmera durante as falas do adversário, foi interpretada como ironia excessiva e arrogância, sugerindo a necessidade de maior didatismo em suas explicações.
- Pesquisa encomendada por Lula ressaltou que ele aparentou cansaço e irritação, não dando respostas diretas às acusações e não conseguindo explicar claramente suas propostas.
- Em relação a Flávio Bolsonaro, ele foi avaliado como artificial, excessivamente ensaiado e mecanizado, com ausência de respostas ao questionamento feito por Lula.
Impactos para as campanhas na reta final
Os resultados das pesquisas qualitativas influenciam as estratégias para a fase decisiva das eleições. A campanha de Lula prepara a exploração do desafio feito para que Flávio Bolsonaro quebre espontaneamente seus sigilos telefônico e bancário, trecho do debate que teve boa recepção nas análises qualitativas e que já tem sido usado em peças promocionais com a máxima popular “quem não deve, não teme”.
Em contraponto, a campanha de Flávio Bolsonaro planeja trabalhar o episódio no qual Lula o chamou de “malandro carioca”, considerando a expressão como preconceituosa. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), gravou vídeo manifestando defesa dos nascidos no Rio de Janeiro em resposta à fala do adversário.
Visão da imprensa internacional sobre o debate
Além dos eleitores e das campanhas, a imprensa internacional avaliou o debate como “caótico” e “tenso”, reforçando a impressão de um confronto marcado por tensões e falta de aprofundamento em temas como o ajuste fiscal, que ficaram de fora das discussões.
Assim, fica evidenciado um desafio conjunto para ambos os candidatos: conquistar o eleitorado com propostas consistentes enquanto mantêm uma postura estratégica que evite a rejeição provocada pelo excesso de ataques pessoais e falta de clareza.