PF investiga rede empresarial ligada a Willer Tomaz para ocultar valores em negócios de loterias no RJ
Polícia Federal apura se advogado utilizou sociedades e familiares para dificultar identificação de valores em operações envolvendo loterias no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar se o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), utilizou uma complexa estrutura de empresas, sociedades, participação oculta e familiares com o propósito de dificultar a identificação do volume e destino de valores financeiros relacionados a negócios no mercado de loterias do Rio de Janeiro.
Conforme o pedido de abertura de inquérito apresentado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), o foco da apuração está em operações possivelmente vinculadas ao ambiente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), envolvendo especialmente a Pixs/Rio Pag, empresa operadora dos pagamentos de apostas para lotéricas e casas de apostas autorizadas pela Loterj.
A PF identificou indícios de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto, empresa que foi a primeira a obter autorização para explorar apostas esportivas de quota fixa pela Loterj, com contrato inicial previsto para até cinco anos. A investigação também destaca a relação entre Willer Tomaz, o ex-presidente da Loterj Hazenclever Lopes Cançado, o ex-governador do Rio Cláudio Castro e a Pixs/Rio Pag.
Dados obtidos pela Polícia Federal incluem transferências financeiras significativas, em valores aproximados de R$ 500 mil, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões e R$ 13 milhões destinadas à RIOPAG S.A. e a contas pessoais de Willer Tomaz. A PF ressalta a proximidade profissional e pessoal entre Willer Tomaz e Hazenclever, que presidiu a Loterj desde julho de 2022 e assinou contratos com a Pixs.
Também foi constatado um e-mail relacionado ao Magnum Bank, banco digital utilizado pelo advogado, solicitando informações para análise de compliance sobre pessoas jurídicas vinculadas a Willer Tomaz, o que reforça a investigação sobre exposição e movimentações financeiras ligadas ao advogado.
Posicionamento das defesas
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que “não há nada oculto” nas relações societárias apontadas pela PF e que a empresa Rio Pag é detida indireta e legalmente por meio de cadeias societárias constituídas e registradas, sendo Willer acionista em sociedades com administração própria.
Os advogados afirmaram ainda que a atuação de Willer frente à Rio Pag sempre se deu na condição de advogado e que ele jamais movimentou, como pessoa física, as contas da empresa, negando qualquer irregularidade nos custos de trabalho apontados.
Por sua vez, a defesa de Flávio Bolsonaro esclareceu que a única relação do senador com Willer Tomaz é de amizade, negando qualquer envolvimento com suspeitas ou irregularidades relacionadas às investigações da Polícia Federal.