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Operação Faroeste: MPF recomenda perdão ao delator e condenação de acusados

Ministério Público Federal solicita condenação de quatro réus e apoio ao perdão judicial do delator no caso de venda de sentenças na Bahia.

Desembargadora da Bahia, Sandra Inês Moraes, investigada na Operação Faroeste, contra esquema de venda de decisões por juízes
Desembargadora da Bahia, Sandra Inês Moraes, investigada na Operação Faroeste, contra esquema de venda de decisões por juízes — Foto: Reprodução/TV Bahia

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou nesta quarta-feira (4) a condenação de quatro réus na Operação Faroeste, que investiga um esquema de venda de sentenças judiciais na Bahia. O pedido foi feito durante sessão na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além disso, o MPF defendeu o perdão judicial para o colaborador Júlio César Cavalcanti Ferreira.

A Operação Faroeste apura suspeitas de corrupção envolvendo magistrados e outros agentes públicos em processos que tratam da disputa por propriedades rurais no oeste baiano.

Um dos investigados é a desembargadora Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, que foi afastada do cargo desde 2020, quando as investigações começaram, e aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em dezembro de 2024, por descumprimento de deveres funcionais e confirmação de esquema de 'rachadinha' em seu gabinete.

O MPF aponta que Sandra Inês teria recebido propina de R$ 250 mil — segundo as investigações, o valor passou pelo seu filho — em troca de um parecer favorável a uma empresa agropecuária envolvida nas disputas judiciais.

Os acusados teriam atuado para garantir a propriedade de imóveis rurais para determinada empresa, por meio de decisões judiciais compradas, movimentando cerca de R$ 4 milhões, dos quais R$ 2,4 milhões teriam sido pagos efetivamente.

Além de Sandra Inês, outras autoridades do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) já foram condenadas em desdobramentos anteriores da operação, como o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio e a ex-presidente do TJ-BA Maria do Socorro Santiago, afastada desde 2019.

O relator do processo no STJ, ministro Og Fernandes, destacou que a denúncia do MPF está fundamentada em vasto material probatório, incluindo gravações, relatórios financeiros que indicam operações atípicas e colaboração premiada.

As investigações da Polícia Federal indicam existência de uma organização criminosa especializada na legalização ilegal de terras griladas na Bahia, com participação de integrantes do Judiciário e suspeitas que envolvem corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, e tráfico de influência.

O esquema teria atuado em uma área superior a 360 mil hectares, movimentando valores bilionários.

Tags: BahiaJustiçaMPFOperação Faroestecorrupção

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