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Modelo econômico de Milei aprofunda debate nas eleições

O plano de ajuste fiscal do presidente argentino Javier Milei virou referência na disputa eleitoral brasileira, com opiniões divergentes sobre seus impactos sociais e econômicos.

O modelo econômico implementado pelo presidente argentino Javier Milei desde 2023, marcado por cortes profundos nos gastos públicos, fim de subsídios e desregulamentação, tornou-se tema central na eleição presidencial brasileira de 2026. Conhecido pelo apelido "Plano Motosserra", o programa de ajuste fiscal do governo argentino tem sido alvo de análises e debates que refletem diferentes visões políticas e econômicas no Brasil.

Após quase três anos da implementação das medidas, a Argentina apresentou avanços como a redução expressiva da inflação, de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, e o equilíbrio das contas públicas, com a arrecadação superando os gastos. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,4% em 2025, e o principal índice de ações argentino, o S&P Merval, teve alta significativa nos primeiros anos do governo Milei.

Porém, essas conquistas macroeconômicas coexistem com impactos sociais negativos relevantes. A pobreza voltou a subir, atingindo cerca de um terço da população, enquanto o desemprego alcançou 7,9%, o maior índice desde 2021. Mais de 32 mil empresas fecharam ou reduziram o número de funcionários registrados desde o início da gestão, e o poder de compra da população segue pressionado, especialmente nas camadas mais pobres, onde a informalidade cresce.

No front político, a popularidade de Milei diminuiu, especialmente entre os cidadãos de menor renda, conforme pesquisas recentes. Protestos na área da educação e tensões sociais evidenciam o descontentamento com as consequências do programa fiscal.

Reflexos e controvérsias no Brasil

O debate brasileiro sobre a condução econômica do país incorporou o modelo argentino como símbolo polarizador. Flávio Bolsonaro (PL) expressa admiração pelas medidas adoptadas por Milei, destacando os avanços em contas públicas e redução da burocracia como exemplos a serem seguidos no Brasil. Sua campanha inclui promessa de um "tesouraço" para enxugar a máquina pública e reduzir impostos, inspiração direta no plano argentino.

Por outro lado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utiliza os efeitos sociais adversos evidenciados na Argentina para criticar possíveis adoções similares no Brasil. O PT expõe nas redes sociais e debates os custos sociais da política de Milei, incluindo a reforma trabalhista aprovada na Argentina e os impactos para os trabalhadores.

Essa polarização reflete divergências fundamentais sobre a dimensão e o ritmo do ajuste fiscal, assim como o papel do Estado na mitigação dos efeitos sociais da austeridade. Especialistas consultados destacam que o Brasil enfrenta condições distintas e que a experiência argentina não pode ser reproduzida integralmente.

Desafios do modelo Milei

Economistas como Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, reconhecem o sucesso de Milei na estabilização macroeconômica, mas apontam a persistência da fraqueza no consumo interno e no poder de compra da população como problemas pendentes. Setores intensivos em mão de obra, como indústria e construção, sofreram impactos negativos, enquanto atividades ligadas a energia e mineração têm apresentado crescimento concentrado e limitado em termos de geração de empregos.

Além disso, fatores externos, como juros elevados nos Estados Unidos e incertezas políticas locais diante das eleições previstas para outubro de 2027, diminuíram o entusiasmo dos investidores. As tensões sociais e o aumento do desemprego também afetam a percepção de risco.

Em suma, o modelo econômico de Milei tem avançado no controle fiscal e estabilidade, porém enfrenta resistência pelas consequências sociais e econômicas que afetam o dia a dia da população argentina.

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