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Lula e Flávio Bolsonaro ajustam estratégias para debate decisivo

Candidatos à Presidência preparam mudanças no tom e na postura para o último debate antes das eleições, buscando conquistar eleitores indecisos.

Os candidatos à Presidência da República, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), dedicaram-se nesta quinta-feira (22) à preparação do debate agendado para esta sexta-feira (23), que será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. As equipes dos presidenciáveis têm focado em ajustar as estratégias para o segundo confronto, desta vez na TV Globo, buscando conquistar eleitores que ainda se mostram indecisos.

Flávio Bolsonaro aposta em tom mais moderado e propostas

Após o debate inicial promovido pela Band em 18 de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro optou por mudanças significativas na forma de atuação. O senador e candidato foi orientado a reduzir o tom confrontador e priorizar a exposição de propostas, buscando dar menos espaço a embates diretos com o adversário. Essa mudança reflete um reposicionamento que visa ampliar a aceitação entre o público, especialmente o segmento de eleitores indecisos.

Para implementar essa nova abordagem, a campanha afastou o influenciador Pablo Marçal da etapa de preparação, substituindo-o pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que assumiu a função de treinador do candidato. A decisão também se justifica em críticas internas que apontavam a postura polêmica de Marçal, que, segundo aliados do senador, contribuiu para o crescimento da rejeição a Flávio entre mulheres e paulistanos.

Além disso, a coordenação da campanha recomendou que o candidato evite atitudes que possam ser interpretadas como desrespeitosas à idade do presidente Lula, de 80 anos, especialmente diante de críticas recebidas após a primeira rodada do debate, quando Flávio foi acusado de adotar uma postura etarista. A campanha tem enfatizado a necessidade de uma explicação clara da viabilidade financeira das propostas apresentadas, visando atrair o eleitorado que ainda não decidiu seu voto.

Lula é orientado a evitar provocações e controlar tempo

Do lado do atual presidente e candidato à reeleição, a equipe também tem trabalhado ajustes estratégicos. Lula foi aconselhado a manter o controle emocional durante o debate, evitando reagir a eventuais provocações de Flávio Bolsonaro. Além disso, sua equipe tem orientado a reduzir os improvisos nas respostas e administrar com mais eficiência o tempo disponível para falas, buscando maior objetividade nas intervenções.

Em decorrência da intensa agenda de compromissos e desgaste vocal, Lula cancelou entrevistas e gravações na véspera do debate para preservar sua voz, que tem apresentado rouquidão. O acompanhamento de uma fonoaudióloga faz parte dos esforços para garantir o melhor desempenho no encontro. A consultoria de imagem também atua para aprimorar o posicionamento do presidente no palco, visando evitar situações que prejudicaram sua exposição no debate anterior, como incorreta direção de olhares para câmeras e deslocamento para áreas menos iluminadas.

Além disso, Lula pretende equilibrar suas intervenções entre críticas ao adversário e apresentação de propostas, destacando episódios relevantes relacionados a Flávio Bolsonaro, inclusive em relação a casos envolvendo o advogado Willer Tomaz. A coordenação espera que essa combinação possa conquistar o voto dos eleitores indecisos que, conforme pesquisa Quaest de 21 de outubro, passaram de 7% para 14% em pouco mais de uma semana.

Detalhes do debate e cobertura

O debate será mediado pelo jornalista César Tralli e terá início às 21h20, com transmissão ao vivo pela TV Globo, GloboNews e portal g1. O conteúdo ficará disponível integralmente após o evento nos serviços Globoplay e g1. O portal g1 promoverá a checagem em tempo real das declarações dos candidatos, com uma equipe dedicada composta por mais de 30 jornalistas, que também disponibilizarão os resultados no site e nos veículos do Grupo Globo.

Entre os convidados para o debate, estão figuras próximas aos candidatos, como a primeira-dama Janja e membros das equipes de campanha. As expectativas apontam o encontro como um momento que pode influenciar a decisão dos eleitores nos dias finais antes do turno decisivo das eleições presidenciais de 2026.

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