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Hugo Motta articula bloco para isolar PL na escolha das

Com apoio do Centrão e partidos de esquerda, presidente da Câmara, Hugo Motta, pode formar bloco que reduz influência do PL nas comissões.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está em processo de articulação para formar o maior bloco partidário da Casa em apoio à sua reeleição no comando da Câmara em 2027. De acordo com projeções técnicas do Congresso, essa ação política pode isolar o Partido Liberal (PL), que elegeu a maior bancada individual desde a Constituinte, com 121 cadeiras, tirando do partido a prioridade na escolha das presidências das comissões e das vagas na Mesa Diretora.

Essa movimentação conta com o apoio declarado de 10 partidos do Centrão, além de três partidos da esquerda: PDT, PSB e PV, e há indicativos de que o PT também deve aderir ao bloco liderado por Motta. Caso esse bloco, que já conta com pelo menos 17 legendas, seja oficialmente formalizado no início da próxima legislatura, o critério para a distribuição das comissões deixará de considerar apenas o tamanho dos partidos isoladamente e passará a valorar o tamanho do bloco como um todo.

Na prática, isso poderia afastar o PL das primeiras três comissões que teria direito a escolher — entre elas, a Comissão de Constituição e Justiça, considerada a mais importante da Câmara. Para efeito de comparação, sob a regra atual, o PL teria prioridade para fazer os primeiros pedidos. Contudo, com a formação do bloco, técnicos indicam que o PL ficaria apenas com a 16ª escolha, ainda mantendo sete comissões, mas em colegiados considerados menos prestigiados.

De acordo com a simulação técnica, além das legendas definitivamente confirmadas (PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade), estão incluídas as federações PSOL-Rede e PT-PCdoB-PV, que ainda não definiram formalmente sua participação.

O presidente da Câmara já iniciou negociações para esta composição, utilizando instrumentos políticos como a oferta de cargos na Mesa Diretora, relatorias importantes, vagas no Tribunal de Contas da União (TCU) e a distribuição de emendas parlamentares para consolidar o bloco. Aliados de Motta qualificam essa articulação como uma "jogada de mestre" para manter sua cadeira e influência na Casa.

Por outro lado, interlocutores do PL avaliam que o partido poderá optar por ingressar no bloco para manter a relevância na escolha das comissões, tornando-se o maior partido dentro do grupo e assegurando preferência nas indicações. Entretanto, o PL ainda mantém foco na presidência do Senado, onde desafia a atual gestão de Davi Alcolumbre (União-AP), e pode postergar a decisão sobre a entrada no bloco.

Lideranças do Centrão avaliam que o PL cometeu um erro estratégico ao antecipar publicamente seu interesse em comandar a Câmara e o Senado ao mesmo tempo, o que teria alertado Motta a consolidar sua base com os demais partidos e federações. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu publicamente que o Congresso está "muito mais à direita do que ele" atualmente, refletindo o contexto político complexo em que se dá essa composição.

A formação do bloco tem repercussões diretas na dinâmica da Câmara para a próxima legislatura, influenciando não só a distribuição das presidências de comissões, mas também as vagas na Mesa Diretora, o que reforça a influência política do grupo sobre as decisões e pautas da Casa.

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