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Flávio Bolsonaro se declara “verdadeiro presidente eleito”, denuncia fraude e anuncia oposição a Lula dos EUA

Em documento de três páginas atribuído ao senador, candidato derrotado acusa a Justiça brasileira de perseguição política, agradece a Trump e Milei e afirma que pretende liderar a oposição do exterior.

 ·  Atualizado em 28/10/2026 às 17h52
Flávio Bolsonaro se declara “verdadeiro presidente eleito”, denuncia fraude e anuncia oposição a Lula dos EUA
Foto: Reprodução

Em uma nota de três páginas obtida e confirmada pela gnews, o senador Flávio Bolsonaro (PL) se declara o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil, acusa a Justiça Eleitoral de fraude na votação presidencial de 2026 e anuncia que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.

O documento, assinado pelo parlamentar, contém acusações contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), agradecimentos aos presidentes Donald Trump e Javier Milei e uma justificativa para sua saída do Brasil. Flávio afirma que deixou o país para proteger sua família de uma suposta perseguição política, apesar da determinação judicial que o proibia de viajar ao exterior.

O senador também promete apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores. As acusações de fraude não são acompanhadas de provas que demonstrem irregularidades capazes de alterar o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Flávio acusa STF de interferir nas eleições

No documento, o senador questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação em determinadas seções eleitorais no segundo turno.

Segundo o texto, a medida teria permitido que eleitores fossem submetidos a regras diferentes e favorecido a campanha de Lula. O senador também questiona o crescimento da votação do presidente entre o primeiro e o segundo turno, afirmando considerar suspeito o acréscimo de mais de 10 milhões de votos.

Entretanto, o aumento da votação de um candidato entre os dois turnos não constitui, por si só, evidência de fraude. Na segunda etapa da eleição, os votos anteriormente destinados a outros candidatos podem migrar para os dois finalistas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, uma diferença superior a 4,4 milhões.

O documento também acusa a chapa Lula-Alckmin de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende sua cassação. Essas alegações dependem de apuração e de decisão da Justiça Eleitoral.

Senador nega fuga e afirma sofrer perseguição política

Outro trecho do documento aborda a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, ocorrida após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de deixar o território nacional.

O senador afirma que decidiu viajar para proteger sua família e evitar o que considera uma prisão politicamente motivada.

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirma o texto.

A declaração contrasta com a determinação judicial que restringia sua saída do país. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal e pela imprensa, o parlamentar deixou o território brasileiro sem cumprir a ordem de entrega dos passaportes.

Flávio é investigado em procedimentos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele nega irregularidades, e a existência das investigações não representa condenação.

No documento, o senador também acusa integrantes do STF de corrupção e de atuação política contra sua família, sem apresentar provas que sustentem essas acusações.

Trump e Milei recebem agradecimentos

A manifestação também dirige agradecimentos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Flávio afirma que os Estados Unidos ofereceram segurança à sua família e elogia o governo americano por acolhê-los.

A viagem ocorreu após o governo Trump informar que concederia vistos ao senador e seus familiares. O presidente americano também declarou publicamente aprovar a entrada de Flávio nos Estados Unidos.

A aeronave utilizada pelo parlamentar partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã desta quarta-feira.

Apesar dos agradecimentos a Milei, a passagem pelo território argentino não comprova, isoladamente, participação direta do presidente da Argentina na organização da viagem.

Flávio promete comandar oposição dos Estados Unidos

Em um dos trechos de maior repercussão política, o documento afirma que Flávio pretende continuar atuando na política brasileira mesmo fora do país.

O senador anuncia que pretende apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores e organizar a oposição ao novo mandato de Lula.

Também dirige uma mensagem a parlamentares e governadores aliados, citando especialmente Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial e nome defendido por setores da direita para assumir a presidência do Senado.

O texto afirma que Flávio pretende exercer do exterior a liderança política que, segundo ele, seus aliados não conseguem desempenhar livremente no Brasil.

O documento faz ainda comparações com figuras históricas que atuaram fora de seus países, entre elas Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também menciona o opositor venezuelano Juan Guaidó e a líder María Corina Machado.

Ao se apresentar como presidente eleito, o senador sinaliza que pretende manter sua contestação ao resultado eleitoral e disputar o reconhecimento político de seus apoiadores, apesar da derrota nas urnas.

PL reconheceu oficialmente a vitória de Lula

A posição expressa no documento contrasta com a manifestação oficial do Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro.

Na segunda-feira (26), o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, divulgou uma nota reconhecendo o resultado proclamado pelo TSE, embora tenha defendido esclarecimentos sobre questionamentos levantados durante a votação.

Outros aliados do senador, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL), também reconheceram o resultado da disputa.

A declaração atribuída a Flávio, portanto, representa uma posição distinta daquela anunciada oficialmente por sua legenda.

O resultado das eleições permanece confirmado pela Justiça Eleitoral, e não há decisão judicial que reconheça Flávio Bolsonaro como vencedor ou que invalide a reeleição de Lula.

A promessa de comandar a oposição a partir dos Estados Unidos abre um novo capítulo na reorganização do bolsonarismo, especialmente diante da necessidade de definir lideranças para os próximos quatro anos.

Por enquanto, não há confirmação sobre quando Flávio pretende retornar ao Brasil ou de que maneira organizará sua atuação política no exterior.

Tags: Flávio Bolsonaro; Lula; Eleições 2026; Fraude Eleitoral; Don

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