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Flávio Bolsonaro rejeita 'presidente eleito' e diz ser líder

Após se declarar presidente eleito do Brasil, Flávio Bolsonaro muda texto e se intitula 'líder do Brasil' em nova versão da carta.

 ·  Atualizado em 28/10/2026 às 18h12
Flávio Bolsonaro rejeita 'presidente eleito' e diz ser líder
Foto: Reprodução/Folha

Após se declarar "presidente eleito" do Brasil em uma carta divulgada logo após a derrota nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro publicamente recuou e divulgou uma versão alterada do texto em sua conta na rede social X, em que passou a se chamar de "líder do Brasil".

Na versão inicial, o senador afirmava: "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Na nova redação, essa descrição foi substituída pela de "líder do Brasil".

Flávio Bolsonaro foi derrotado nas urnas pelo ex-presidente Lula (PT) no último domingo (25), com uma diferença de 4,43 milhões de votos. Na carta, o senador anunciou seu projeto de liderar a oposição brasileira a partir do exterior e reafirmou acusações sem provas de fraude na eleição, além de criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e agradecer ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por acolher sua família no país.

Leia também: Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após derrota e com vistos autorizados

O senador desembarcou em Miami na quarta-feira após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião privado com escala no Equador. A saída ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para a entrega dos passaportes de Flávio no âmbito de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, sendo esta uma medida cautelar e não uma ordem de prisão. Flávio nega as irregularidades e classificou as ações judiciais como uma "caça às bruxas politicamente motivada".

Em seu pronunciamento, o senador negou ter fugido do país e disse ter saído para "escapar de um regime de exceção". Ele confirmou o acompanhamento da família nos Estados Unidos e agradeceu ao governo americano pela "segurança jurídica" que, segundo ele, não existe mais no Brasil.

O presidente americano Donald Trump confirmou que aprovou a entrada de Flávio e dos familiares nos EUA, enquanto uma autoridade do Departamento de Estado também confirmou a concessão de vistos ao senador e parentes. Antes de seguir para os EUA, Flávio passou pela Argentina, onde também agradeceu ao presidente Javier Milei pela "coragem, senso de justiça e legalidade".

Flávio Bolsonaro volta a contestar o resultado eleitoral, concentrando suas críticas na decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação no segundo turno, medida que ele atribui a uma suposta interferência ilegítima do STF para favorecer Lula. Entretanto, especialistas e dados oficiais indicam que a ampliação do horário impactou de forma mínima a votação, e o aumento de votos entre os turnos não configura evidência de fraude.

O senador também acusou a chapa Lula-Alckmin de abuso de poder político e econômico, sem apresentar provas. Criticou duramente o Judiciário e expressou preocupação com medidas judiciais futuras, como tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar, associando-as a uma suposta perseguição política.

No discurso, Flávio estabeleceu paralelos com figuras históricas que atuaram no exílio e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Ele fez um apelo a aliados parlamentares e governadores, mencionando Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato à presidência do Senado.

Por fim, reafirmou a continuidade de sua luta política apesar da saída do país, declarando que "a luta não terminou no dia 25 de outubro" e que pretende trabalhar para que o Brasil volte a ser um país livre.

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