Delegados da PF contestam alteração na PEC da Segurança sobre competências das polícias do Congresso
Associação critica mudança que pode ampliar atuação das polícias legislativas e causar conflito com a PF, enquanto relator nega restrição às funções da Polícia Federal.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou críticas quanto a uma modificação no texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública que trata das atribuições da Polícia Federal e das polícias legislativas vinculadas à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Segundo a ADPF, a redação revisada pode ampliar a atuação das polícias do Congresso em investigações criminais, criando um campo de sobreposição com a Polícia Federal, sem que haja legislação específica definindo os limites dessas atuações. A associação também observou que o trecho da PEC com essa alteração não estava presente na versão aprovada pela Câmara dos Deputados nem foi discutido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Por sua vez, o relator da PEC no Senado, senador Rogério Carvalho (PT-SE), negou que a mudança retire ou limite competências da Polícia Federal. Ele afirmou que a alteração tem o intuito de explicitar a possibilidade de que a Polícia Legislativa do Senado investigue crimes cometidos no âmbito do Poder Legislativo, obedecendo suas competências institucionais.
Leia também: Polícia Federal realiza operação contra comércio ilegal de canetas emagrecedoras em Mogi das Cruzes e Suzano
Contexto da alteração no texto da PEC
O trecho em questão aborda a competência da Polícia Federal para investigar crimes contra bens, serviços e interesses da União. A nova redação determina que tal atribuição deve ser exercida "sem prejuízo das atribuições das polícias previstas nos arts. 51, IV, e 52, XIII" da Constituição Federal. Esses artigos tratam dos poderes das polícias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
A ADPF argumenta que a menção às polícias legislativas sem uma legislação específica para delimitar a atuação em investigações criminais pode provocar insegurança jurídica e conflito de competências. A associação reforça que as funções das polícias legislativas são atualmente definidas por atos internos das respectivas Casas Legislativas.
Próximos passos da PEC
A votação da PEC da Segurança Pública foi concluída pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 14 de outubro de 2026. O texto está previsto para ser apreciado no plenário do Senado em 15 de outubro de 2026.
O relator Rogério Carvalho reiterou que a mudança não prejudica a atuação da Polícia Federal, que seguirá exercendo plenamente suas competências e cumprindo decisões judiciais relacionadas a investigações criminais.
📰 Veja também
PGE é contra suspender canal 'Exército do Lula'
Ministério Público Eleitoral defende que mobilização de apoiadores não configura fraude e pede investigação sobre anúncio pago direcionado ao canal.
Mãe de Ana Clara reage a Flávio no debate da Globo
Durante debate na TV Globo, Cristiane Gomes chamou Flávio Bolsonaro de mentiroso enquanto ele respondia sobre o caso da filha Ana Clara.
STF torna Oswaldo Eustáquio réu por associação criminosa
Blogueiro Oswaldo Eustáquio foi denunciado por participação em mobilizações antidemocráticas e tornou-se réu por unanimidade no STF.
329 mil eleitores votarão em Macaé, Rio das Ostras e Casimiro
Urnas eletrônicas foram distribuídas com escolta policial; transporte público gratuito será oferecido para eleitores nos três municípios.
Nunes Marques garante segurança na apuração do TSE
Cerimônia de lacração dos sistemas eleitorais garantiu integridade das urnas para as eleições de 25 de outubro.