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Política

Advogada de Flávio Bolsonaro afirma que mensagens apagadas impediram identificação de fake news no canal ‘Exército do Lula’ pelo TSE

Defensora de Flávio Bolsonaro relata exclusão de 499 mensagens do canal 'Exército do Lula' administrado por André Janones, o que teria dificultado apuração de conteúdos falsos pelo tribunal.

Por 14/10/2026 às 15h36

A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, responsável jurídica pela campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou em entrevista ao Estúdio i que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não conseguiu identificar conteúdos falsos no canal “Exército do Lula”, criado e administrado pelo deputado federal André Janones, porque parte das mensagens foi apagada antes da análise.

Segundo Bucchianeri, Janones teria excluído 499 das 1.372 publicações realizadas no canal, correspondendo a mais de um terço do total. Essas mensagens apagadas teriam sido compartilhadas aproximadamente 116 mil vezes antes da exclusão. Logo após a declaração da advogada, Janones negou as acusações de divulgação de fake news e anunciou que pretende processá-la por calúnia.

A advogada explicou que a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou que a ação de investigação judicial eleitoral (Aije) contra o canal tramitasse em sigilo para garantir que as mensagens fossem preservadas antes que os responsáveis tomassem ciência da ação. Entretanto, o pedido não foi aceito para que a empresa Meta conservasse o conteúdo publicado.

Leia também: Presidente do TSE determina suspensão temporária do canal ‘Exército do Lula’ no WhatsApp

Para contornar a situação, Bucchianeri disse que a equipe de Flávio Bolsonaro instalou um programa para registrar em tempo real as publicações feitas no canal, incluindo aquelas que foram posteriormente removidas, e que essas informações já foram entregues ao TSE.

Como exemplos de supostas notícias falsas, a advogada citou publicações que acusavam ministros do Supremo Tribunal Federal de receber propina e conteúdos relacionados à padroeira do Brasil.

Além disso, Bucchianeri acusou o deputado André Janones de orientar os integrantes do canal a compartilharem as mensagens com rapidez antes que fossem eliminadas e de adotarem estratégias para burlar mecanismos de controle das plataformas. Entre essas orientações estariam a recomendação para copiar e colar conteúdos em vez de encaminhar diretamente e para compartilhar vídeos sem assisti-los, aumentando o engajamento.

Por sua vez, a análise técnica do TSE não identificou irregularidades no conteúdo atualmente disponível no canal.

A advogada afirmou ainda que a campanha de Flávio Bolsonaro está disposta a concordar com o restabelecimento do canal “Exército do Lula”, sem a necessidade de aguardar o prazo de 48 horas após o registro no TSE, desde que as medidas determinadas pela Justiça Eleitoral sejam cumpridas. Entre essas medidas, estão o monitoramento do canal e a proibição da exclusão de novas publicações, com a advertência de que o descumprimento pode levar à suspensão do espaço.

Por fim, Maria Cláudia Bucchianeri criticou o que vê como uma falha na regulamentação do TSE referente ao uso de aplicativos de mensagens durante as eleições, ressaltando que as restrições aplicadas aos grupos de WhatsApp não acompanharam o surgimento dos canais, que alcançam uma audiência maior.

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