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Israel tem 74,3% de voto em eleição decisiva para Netanyahu

Eleições em Israel têm a maior participação desde 1988 e definem o futuro do premiê Netanyahu em meio a conflitos regionais.

Israel tem 74,3% de voto em eleição decisiva para Netanyahu
Foto: Divulgação/IsraeliPM

Israel realizou nesta terça-feira (27) uma das eleições mais importantes de sua história, com um comparecimento recorde às urnas, que alcançou 74,3%, a maior taxa para esta etapa desde 1988. As votações ocorreram num contexto de guerra e tensão regional, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sendo colocado à prova diante de ataques e conflitos recentes.

Longas filas se formaram fora dos locais de votação, enquanto os eleitores lidavam com o trauma dos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que marcaram o dia mais sangrento da história recente do país, além das guerras subsequentes em Gaza, Líbano e Irã. O cenário político está marcado por divisões internas provocadas pelas políticas da coalizão de direita de Netanyahu, que ampliaram o isolamento internacional de Israel, embora ele se apresente como único líder capaz de enfrentar os inimigos do país.

Disputa entre Netanyahu e Gadi Eisenkot

Netanyahu, líder com 19 anos no cargo, enfrenta o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, como seu principal rival. Eisenkot conta com apoio de partidos de direita, centro e uma esquerda cada vez mais marginalizada, propondo uma linha dura nas questões de segurança e prometendo investigar falhas do governo diante dos ataques recentes. A corrida eleitoral mostra-se acirrada, sem garantias claras para nenhum candidato formar governo facilmente no Parlamento de 120 cadeiras.

Leia também: Eleições em Israel terminam sem maioria para formar governo

Eisenkot visitou o kibutz Nir Oz, atingido pelos ataques, e afirmou esperar que as eleições tragam um "novo espírito" e correção para os últimos anos e o impacto do dia 7 de outubro. Ele reforçou seu compromisso de desmantelar a capacidade militar do Hamas em Gaza no prazo de 18 meses caso assuma o governo. Já Netanyahu conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado na guerra contra o Irã, e enfatizou a importância da participação massiva dos eleitores para a manutenção de sua coalizão de direita.

Participação árabe e impacto político

A eleição teve uma participação histórica dos eleitores palestinos com cidadania israelense, que segundo o líder da Lista Conjunta, Osama Saadi, chegou a cerca de 69%, contraste com os 56% da eleição anterior. A mobilização da minoria árabe é vista como fator que pode influenciar o resultado, com possibilidade de apoio a um governo alternativo ao de Netanyahu, embora uma aliança formal com partidos árabes seja descartada pelo candidato rival Eisenkot.

Netanyahu, por sua vez, tem adotado um discurso que acusa os árabes israelenses de ameaça, posição contestada pelos adversários e classificada como próxima ao racismo. A mobilização política incluiu até a circulação de carros com alto-falantes reproduzindo o chamado islâmico para oração, acompanhados de mensagens eleitorais nas ruas de Jerusalém.

Possíveis desdobramentos

Se nenhum dos candidatos conseguir formar coalizão majoritária, Netanyahu poderá permanecer no cargo interinamente até novas eleições, como já ocorreu em ciclos anteriores. A atual votação reflete um país dividido e fragilizado, com o futuro político do premiê mais longevo da história de Israel em jogo, em meio a uma conjuntura marcada por desafios internos e conflitos regionais intensos.

Tags: Conflito no Oriente MédioGadi EisenkotIsraelNetanyahueleições 2026

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