FMI aprova revisão e libera US$ 900 mi à Argentina
Programa econômico da Argentina avança com apoio do FMI, que destaca resultados apesar de cenário global complexo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou a aprovação da terceira revisão do acordo de 48 meses com a Argentina para o programa de reformas econômicas do país sul-americano, o que deve permitir o acesso de Buenos Aires a aproximadamente US$ 900 milhões, conforme informado pelo FMI em comunicado oficial na terça-feira (28).
A análise do acordo ainda depende da validação final do Conselho Executivo do Fundo, prevista para o início de dezembro. Mesmo diante de um cenário global complexo, o programa argentino tem entregado resultados "impressionantes", segundo o FMI.
Resultados e avanços destacados pelo FMI
A instituição ressaltou que as políticas fiscais e monetárias prudentes têm contribuído para a desinflação contínua e fortalecimento da posição externa da Argentina. Entre os indicadores positivos mencionados, as reservas internacionais líquidas do país superaram a meta de junho por cerca de US$ 4 bilhões. O Banco Central argentino (BCRA) já adquiriu cerca de US$ 16 bilhões em 2026, enquanto o Tesouro levantou mais de US$ 5 bilhões nos mercados domésticos de câmbio.
Além disso, o BCRA refinanciou US$ 6 bilhões em operações de recompra, com US$ 5 bilhões programados para vencer até 2028. O governo, com o suporte de credores oficiais, também mobilizou financiamento bancário transfronteiriço garantido de US$ 3,2 bilhões, com expectativa de garantir mais US$ 1 bilhão até o fim do ano.
Foco em reformas estruturais e política fiscal
De acordo com o FMI, reformas amplas nas áreas de comércio, trabalho, investimento e nos mercados de capitais estão criando uma economia mais eficiente e orientada ao mercado, com um volume de exportações atingindo níveis inéditos. Projetos aprovados pelo Regime de Incentivo ao Investimento (RIGI) ultrapassam US$ 76 bilhões e devem promover crescimento e geração de empregos ao longo do tempo.
O Fundo ressaltou que a âncora fiscal continuará central, com previsão de superávit primário de 1,4% do PIB para 2026 e esforço fiscal semelhante para 2027, com orçamento que já foi submetido ao Congresso argentino. Este seria o quarto ano consecutivo de superávit primário e equilíbrio fiscal geral, com disciplina nos gastos e reformas tributárias para fortalecer a consolidação fiscal, protegendo gastos sociais e de infraestrutura prioritários.
Política monetária, reservas e financiamento
O Banco Central da Argentina manterá o controle dos agregados monetários para apoiar a desinflação e o crescimento das reservas, garantindo flexibilidade na faixa cambial. Esforços também continuam para aprimorar operações de liquidez e a transmissão da política monetária, apoiando a remonetização da economia e expansão prudente do crédito.
O FMI destacou o compromisso em fortalecer as reservas, melhorar a posição externa e mobilizar recursos por meio dos mercados domésticos, parceiros oficiais e receitas de privatização. A Argentina preserva a prontidão para acessar mercados internacionais e utilizar linhas de crédito contingentes conforme necessário, além de continuar esforços para ampliar os prazos de vencimento da dívida.
Reformas para crescimento sustentável
Por fim, o Fundo reafirmou a prioridade em aprofundar os mercados de capitais internos, ampliar acesso a financiamentos de longo prazo e facilitar investimentos estratégicos, especialmente os enquadrados no RIGI. As reformas recentes no mercado de trabalho e o compromisso com uma política macroeconômica prudente são considerados pilares para fortalecer o crescimento e o emprego no médio e longo prazo na Argentina.




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