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Flávio Bolsonaro vai aos EUA e aumenta tensão bilateral

Decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o país após determinação do STF deve gerar tensão diplomática com os EUA e impactar relação com Argentina.

Senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos seus passaportes. Essa movimentação promete abrir um novo capítulo na já instável relação entre o Brasil e os EUA, com repercussões também para os governos de Lula (PT) e Javier Milei, da Argentina.

Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), destacou à reportagem que a ida de Flávio para os EUA tende a intensificar a ação política da oposição representada pela família Bolsonaro em confronto com o governo Lula, elevando a tensão diplomática.

"A ida de Flávio aos Estados Unidos vai intensificar a ação política deles, com reações aqui no Brasil. A relação vai ficar mais tensa entre o Brasil e os EUA", afirmou Barbosa. Ele também ressaltou a decisão de Flávio, mesmo diante da repercussão e opiniões contrárias, de deixar o país.

Leia também: PF pode pedir prisão preventiva de Flávio Bolsonaro após fuga

Importância estratégica das terras raras

Em meio às disputas políticas, o tema das terras raras — minerais estratégicos usados em defesa e tecnologia — é outro fator relevante. Os EUA, sob a gestão Trump, buscaram diminuir sua dependência da China nessa área, firmando um acordo de US$ 565 milhões com a produtora brasileira Serra Verde, localizada em Goiás.

Flávio Bolsonaro chegou a afirmar, em visita aos EUA, que o Brasil seria a "solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras". Por sua vez, o presidente Lula defende que a cooperação com os EUA nesse setor deve respeitar a soberania nacional e que modelos que comprometam essa soberania são inapropriados.

Repercussões no comércio e política externa

A política tarifária dos EUA, considerada hostil por Barbosa, agravou as fricções comerciais, o que tem favorecido o comércio entre Brasil e China, que alcançou US$ 143 bilhões de janeiro a setembro de 2026. Esse crescimento inclui um aumento significativo nas exportações brasileiras de petróleo para a China, que superaram as da Arábia Saudita nesse mercado.

Passagem pela Argentina e efeitos bilaterais

Antes de chegar aos EUA, Flávio transitou pela Argentina e pelo Equador, evitando o espaço aéreo brasileiro. A Direção de Migrações da Argentina confirmou sua entrada no país às 22h50 do dia 27 de outubro. A Polícia Federal brasileira investiga como essa travessia foi possível, considerando as circunstâncias legais.

Rubens Barbosa aventa que a aparente colaboração do governo argentino de Javier Milei nessa passagem e o apoio do governo americano na chegada de Flávio poderão impactar negativamente as relações bilaterais entre Brasil e Argentina, que já apresentam dificuldades. A visita de Milei a São Paulo, para lançar a candidatura de Flávio, e declarações ofensivas do argentino contra Lula intensificaram as tensões, levando a convocações diplomáticas.

"Esse é um fator. A saída de Flávio pela Argentina, com apoio, aparentemente, do governo Milei, e a chegada aos Estados Unidos, também com o beneplácito do governo americano. Essas duas coisas vão ter consequências no relacionamento bilateral", avaliou o diplomata.

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