EUA ampliam apoio e desafiam ONU contra embargo a Cuba
Pela primeira vez, vários países se abstiveram ou votaram contra a resolução que condena o embargo dos EUA a Cuba, refletindo mudanças diplomáticas.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (28), uma resolução pedindo o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas. Contudo, a votação revelou uma mudança no cenário diplomático, com um número maior de países se abstendo ou votando contra a resolução.
Dos 193 países-membros, 130 votaram a favor da resolução, enquanto 25 se abstiveram e 17 votaram contra, incluindo os Estados Unidos e Israel. Em comparação, na última votação realizada no ano passado, 165 nações apoiaram o fim do embargo, somente sete votaram contra e 12 optaram pela abstenção. Países europeus de peso, como Alemanha e Itália, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos.
O enviado americano à ONU, Mike Waltz, destacou que a mudança de posição de países relevantes representa progresso nas negociações diplomáticas. "Estou satisfeito por tantos países, incluindo grandes economias como a Coreia e a Alemanha, terem mudado sua posição", comentou Waltz, acrescentando que a diplomacia é um processo gradual e espera mais adesões à oposição à resolução no futuro.
As tensões entre Cuba e os EUA se intensificaram em torno da votação, culminando em episódios de discussão e confronto verbal entre diplomatas no plenário da Assembleia Geral. Waltz afirmou que um diplomata cubano, identificado como Richard Tur de la Concepción, foi acusado de agredir um diplomata estadounidense e foi expulso do país.
Por seu lado, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, repudiou as ações dos Estados Unidos. Em mensagens publicadas na rede social X, afirmou que o governo americano está isolado em sua tentativa de manter o embargo, que classifica como punidor contra o povo cubano, e que a verdade prevalecerá sobre a pressão exercida.
Apesar da pressão diplomática dos Estados Unidos para manter o embargo, a Assembleia Geral da ONU mantém historicamente uma maioria contrária à medida desde 1992, exceto em 2020, quando a votação não ocorreu devido à pandemia de Covid-19. Apesar disso, a suspensão efetiva do embargo depende do Congresso americano, já que a ONU não possui autoridade para revogá-lo.
Cuba sofre com a pior recessão econômica em décadas, que inclui escassez de produtos essenciais, infraestrutura precária e inflação elevada, situação que o governo cubano atribui diretamente às sanções americanas. Recentemente, o país enfrentou um colapso total em sua rede elétrica, deixando milhões de habitantes sem energia.
O presidente Donald Trump tem mantido discurso firme contra o governo cubano, qualificando Cuba como um "Estado falido" e prometendo a chegada da liberdade à ilha.





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