Bancos privados aumentam taxas do crédito imobiliário
Bradesco, Itaú e Santander aumentam taxas de financiamento imobiliário após disparada nos juros futuros, pressionando custo da casa própria.
Bradesco, Itaú e Santander anunciaram aumentos nas taxas de juros do financiamento imobiliário oferecido aos clientes. Essas decisões ocorrem após uma alta expressiva nos juros futuros, que impacta diretamente o custo do crédito para aquisição da casa própria.
O Bradesco elevou a taxa mínima de 11,69% para 13,60% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR), atualmente em 1,96% anual. O Itaú aumentou o juro mínimo de 11,99% para 12,95% ao ano, mais TR, a partir do dia 29 de outubro. Já o Santander passará a cobrar juros a partir de 12,49% ao ano, mais TR, a partir de 30 de outubro.
Esses bancos são os principais no mercado de crédito imobiliário com recursos da poupança — SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) — e movimentaram quase R$ 74 bilhões entre janeiro e setembro de 2026. No mesmo período, o total concedido pelo sistema foi de R$ 146,1 bilhões, segundo dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
A Caixa Econômica Federal, líder no setor e responsável por cerca de 70% do mercado habitacional, concedeu R$ 68,8 bilhões no mesmo período. A Caixa não informou se pretende reajustar as taxas, uma vez que está em período de silêncio em razão da divulgação iminente de seu balanço.
A alta dos juros futuros está associada à expectativa de uma política fiscal mais expansionista no governo Lula, elevando a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano e pressionando o custo do crédito. As taxas do financiamento imobiliário não respondem imediatamente às mudanças da Selic, pois dependem da captação no mercado financeiro, custo dos recursos e análise de risco das operações.
A saída de recursos da poupança, que apresentou um saldo líquido negativo de R$ 6,2 bilhões em setembro, reduz uma fonte tradicional de dinheiro para esses financiamentos, encarecendo a captação dos bancos. Isso contribui para o aumento das taxas cobradas dos clientes.
Representantes dos bancos ressaltam que o crédito imobiliário é estratégico para fidelizar clientes e abrir espaço para outros produtos e serviços, apesar do cenário de juros elevados e captação mais difícil. Segundo o Bradesco, a concessão do crédito ficou mais cara com taxas acima de 12% ao ano.
Para entidades do setor, como a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o aumento dos juros do financiamento reduz o poder de compra das famílias e limita o acesso à casa própria. Estimam que cada ponto percentual de alta nas taxas exclui cerca de 1,3 milhão de famílias do mercado imobiliário. A Abrainc defende controle dos gastos públicos para que a Selic possa reduzir ao longo dos próximos anos, facilitando o acesso ao crédito.
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