Perícia da defesa aponta modificações no celular de Vorcaro
Advogados de Vorcaro apresentam perícia preliminar que sugere alterações no aparelho apreendido e pedem acesso a dados originais.
Advogados de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia preliminar que aponta supostas modificações no celular do ex-banqueiro após a apreensão do aparelho, em novembro de 2025. A defesa utiliza o documento para questionar a integridade das provas usadas nos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF) contra Vorcaro e solicita que o órgão entregue dados que vêm sendo pedidos desde fevereiro.
Na petição enviada ao STF, a defesa defende que as constatadas alterações no telefone justificam o restabelecimento da liberdade de Vorcaro, argumentando que a manutenção da prisão não é razoável enquanto não for realizado um exame mais aprofundado do conteúdo do celular. A assessoria da PF preferiu não comentar as alegações.
O pedido da defesa abre espaço para que, futuramente, os advogados contestem as provas reunidas na apuração e busquem anular os processos contra o ex-banqueiro.
Perícia revela uso do celular após apreensão
O documento preliminar contratado pela defesa informa que o celular do ex-banqueiro foi utilizado após ter sido apreendido, registrando 33 ativações da câmera frontal e três conexões via USB. Ainda segundo a perícia, registros de criação ou modificação de senhas ocorreram em um intervalo durante a madrugada, sem que o termo de apreensão mencionasse tais ações.
Além disso, foram identificadas centenas de arquivos criados ou modificados no aparelho, alguns datados até seis meses depois da extração oficial do conteúdo, ocorrida em novembro de 2025.
Na peça enviada ao STF, a defesa requer que sejam preservados os dados brutos originais da extração, com custódia verificável, incluindo registros técnicos da coleta, valores de hash e documentação completa da cadeia de custódia.
A defesa também solicita o fornecimento de registros fotográficos dos lacres aplicados no equipamento no momento da apreensão e documentação sobre o controle e manuseio do aparelho entre a abordagem policial e a perícia.
Contexto da investigação e indiciamentos
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas ligadas ao Banco Master, indiciando Vorcaro e outras 14 pessoas por crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB).
A denúncia aponta que Vorcaro pode ter cometido gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro, indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e participação em organização criminosa.
O relatório da PF, com mais de 700 páginas, afirma que os elementos encontram compatibilidade, em tese, com a participação em atos de gestão fraudulenta, citando aprovações que teriam mantido e ampliado operações bilionárias por meio da postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos.
Segundo o documento assinado por quatro delegados, a análise considera individualmente o material entregue antes de cada votação, o tempo para análise, as funções de cada diretor, manifestações produzidas fora das atas e o grau de consciência sobre falhas nos ativos.
Daniel Vorcaro permanece preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
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