Urucum cresce como alternativa à soja e milho no agro de MS
Cultivo do fruto que dá cor ao colorau cresce em Ivinhema, ampliando renda e requisitos técnicos para agricultores familiares.
O urucum tem ganhado destaque na agricultura familiar de Ivinhema, Mato Grosso do Sul, como alternativa para diversificar as fontes de renda além das tradicionais soja e milho. Atualmente, a cultura ocupa cerca de 300 hectares na região, segundo a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer).
Este fruto é conhecido por ser a matéria-prima do colorau, corante natural usado em alimentos. A substância avermelhada, chamada bixina, é extraída das sementes e possui valor comercial relevante para os produtores, como relatado pelo agricultor Valdir Benatti, que cultiva urucum há 11 anos em cinco hectares de terra.
A planta pode ser mantida no campo por vários anos, caracterizando-se como cultura perene e permitindo aos agricultores obter safras múltiplas sem necessidade de replantio anual.
Cuidados no cultivo e manejo do solo
Embora seja viável para pequenas propriedades, o cultivo do urucum demanda cuidados específicos, principalmente na preparação e correção do solo, adubação e controle de pragas, para garantir produtividade satisfatória.
Inicialmente, alguns produtores subestimaram a necessidade de cuidados rigorosos, mas a assistência técnica tem orientado sobre a importância de práticas adequadas, como a aplicação de cama de frango e adubos químicos em fases distintas do desenvolvimento das plantas.
O manejo correto também envolve o combate a pragas como o percevejo, que pode causar perdas ao perfurar os cachos do fruto. Além disso, práticas de conservação do solo podem ajudar na recuperação de áreas degradadas.
Economia e mecanização na colheita
Os agricultores consideram o urucum uma alternativa para áreas com solo menos favorável a culturas tradicionais, como é o caso do produtor Alcemir Gonçalves, que cultiva em uma área com solo desgastado, fazendo uso de calcário e adubação para o plantio.
O preço do quilo do fruto tem sofrido oscilações nos últimos anos, sendo R$ 26,00 em 2024, caindo para cerca de R$ 13,00 em 2026, conforme informado por Benatti, fato ligado ao aumento da produção regional.
Para superar os custos e aumentar a competitividade, os produtores buscam elevar a produtividade e investir na mecanização da colheita. Atualmente, a coleta ainda depende muito de trabalho manual, mas máquinas específicas começam a ser adquiridas por associações locais para facilitar a retirada das sementes e reduzir os custos com mão de obra.
Com esses avanços, o urucum permanece como uma opção promissora para pequenos produtores de Mato Grosso do Sul, que apostam na diversificação da produção frente às variações do mercado e desafios técnicos.
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