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Servidor é afastado após ameaça a indígenas em Tacuru

Áudios atribuídos a servidor da Prefeitura de Tacuru motivam investigação da Polícia Federal e Ministério Público.

Um servidor da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, foi afastado após áudios atribuídos a ele sugerirem o envenenamento da água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró. As gravações, que circularam após o segundo turno das eleições presidenciais em 25 de outubro de 2026, motivaram investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

O funcionário, que trabalhava no setor de infraestrutura do município, não tinha responsabilidade pela distribuição de água, segundo afirmou o prefeito Rogério Torquetti (PSDB).

Não há comprovação até o momento de que a água tenha sido contaminada de fato. As autoridades buscam apurar as circunstâncias das ameaças e se houve alguma ação concreta além das declarações registradas nos áudios.

Leia também: Polícia Federal investiga servidor que ameaçou indígenas em Tacuru

Medidas e investigações em curso

O MPF deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos sobre o caso, incluindo as ações adotadas para garantir a segurança da comunidade indígena. Além disso, instaurou procedimento para apurar responsabilidades.

O prefeito Rogério Torquetti informou já ter afastado preventivamente o servidor e instaurado Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar sua conduta. Ele também publicou vídeo pedindo desculpas pelas declarações atribuídas ao funcionário.

Repercussão entre lideranças indígenas e autoridades

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador do município, repudiou as ameaças e informou que buscará responsabilização civil e criminal dos envolvidos. Ele destacou o repúdio a qualquer manifestação de preconceito e defendeu o direito dos indígenas ao voto livremente exercido.

Deputadas federais como Sônia Guajajara e Célia Xakriabá solicitaram providências urgentes para proteger os povos indígenas e investigar o ocorrido.

Contexto regional e esclarecimentos

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) negou que exista genocídio contra os povos indígenas no estado.

Em incidentes recentes na região, como em Naviraí, investigações apontaram que ataques inicialmente associados a motivações políticas ou étnicas eram, na verdade, desentendimentos familiares sem conexão com o conflito político.

Além disso, líderes indígenas das comunidades Kurupi e Mboreviry negaram a ocorrência de agressões contra seus membros e alertaram para fotos de crimes que circulam adulteradas e fora de contexto na internet.

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