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Delegado é preso por desviar 2 toneladas de cocaína do PCC em MS

Investigação revela que delegado substituía cocaína por mistura adulterada e ganhou R$ 15 milhões com esquema.

Delegado de MS, Hoffman D’Ávila, é suspeito de usar a própria polícia para desviar 2 toneladas de cocaína
Delegado de MS, Hoffman D’Ávila, é suspeito de usar a própria polícia para desviar 2 toneladas de cocaína — Foto: Reprodução/ PF

Um delegado de elite da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul foi preso sob suspeita de desviar cerca de 2 toneladas de cocaína apreendida durante operações policiais e entregar a droga a uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A informação faz parte da Operação Ifrit, desencadeada em sete estados, conforme divulgado nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal (PF).

O delegado, identificado como Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, teria obtido pelo menos R$ 15 milhões com a venda do entorpecente desviado do depósito da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande. Além do dinheiro, a investigação aponta que ele acumulou patrimônio incompatível, incluindo veículos de luxo, uma mansão no condomínio Alphaville, em Campo Grande, e um sítio em Pirenópolis, Goiás.

Para ocultar o desvio, o grupo criminoso substituía a cocaína pura por uma mistura adulterada que continha amido de milho, fermento e aglutinantes, com nível de pureza de aproximadamente 10% ou menos. A droga adulterada era colocada no lugar do entorpecente original, que depois era encaminhado para destruição pelo próprio delegado.

A PF encontrou evidências como conversas, vídeos e imagens que mostram membros da facção manipulando a droga dentro da Denar e acessando as dependências do local.

A investigação revelou que autoridades policiais, civis e militares de Mato Grosso do Sul, assim como um policial rodoviário federal de Mato Grosso, estavam envolvidos no esquema. Eles teriam fornecido informações sigilosas sobre rivais da organização e facilitado o acesso às drogas armazenadas nas unidades policiais em troca de dinheiro ou bens.

O delegado Hoffman estava preso desde setembro, quando a Operação Infiltrados, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o afastou compulsoriamente da Polícia Civil, recolhendo armas funcionais e sua carteira funcional. Na data da última operação, ele recebeu novo mandado de prisão preventiva.

Além de Hoffman, o policial civil Douglas Tobias também foi alvo de buscas e mandados de prisão na Operação Ifrit. Sua defesa afirmou que ele está à disposição das investigações.

A operação mira um grupo familiar que lidera a organização criminosa com atuação na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai), envolvido em tráfico internacional de drogas, armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A organização atua em outros estados do Brasil e mantém rotas internacionais, enviando drogas para a Europa, principalmente Espanha e Portugal.

Foram autorizados pela Justiça 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva, um de prisão temporária, além de medidas de monitoramento e afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.

Tags: Desvio de drogasMato Grosso do SulOperação IFRITPCCPolícia Civil

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