Netanyahu questiona resultado da eleição e acusa fraude de eleitores árabes em Israel
Benjamin Netanyahu e aliados alegam fraude em voto árabe para atrasar formação de governo após eleição de 2026.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e seus aliados passaram a questionar a legitimidade da eleição realizada em 27 de outubro de 2026, alegando sem apresentar provas que eleitores árabes teriam cometido fraude. Essa estratégia visa dificultar que a oposição forme uma coalizão governamental, apesar de ter conquistado maioria no Parlamento.
O bloco liderado por Netanyahu tem enfatizado duas investigações em curso sobre suspeitas de irregularidades eleitorais. Netanyahu declarou nas redes sociais que "até que a investigação seja concluída, uma nuvem escura paira sobre os resultados eleitorais em Israel".
O ex-chefe militar e rival, Gadi Eisenkot, afirmou que a iniciativa de Netanyahu é um ato de desespero, afirmando que o primeiro-ministro tenta minar os resultados por não aceitar sua derrota.
A oposição obteve 67 cadeiras no Parlamento, incluindo 19 conquistadas por dois partidos árabes que buscam retirar Netanyahu do poder. Ainda permanece incerto o papel desses partidos na formação da futura coalizão.
O presidente Isaac Herzog deve conceder a Eisenkot a primeira chance de formar governo. Entretanto, Netanyahu tenta usar as investigações para criar dúvidas sobre a alta participação de eleitores árabes, embora não haja evidências que comprometam o resultado.
Uma investigação da polícia israelense envolve suposta tentativa de suborno eleitoral que resultou na detenção e posterior libertação de três cidadãos árabes. Juízes que avaliaram o caso criticaram a falta de evidências apresentadas pelos investigadores.
Outra apuração é conduzida pela agência de inteligência Shin Bet, que investiga possível influência estrangeira na eleição. O juiz conservador da Suprema Corte, Noam Sohlberg, reiterou que as suspeitas não afetarão a validade do pleito.
Apesar da tentativa de deslegitimar o pleito, o comitê eleitoral central validou a eleição, mesmo com a oposição do bloco Netanyahu. Analistas alertam que, se o grupo de Netanyahu mobilizar sua base para contestar o resultado, Israel poderá enfrentar uma crise institucional semelhante a momentos turbulentos recentes em democracias globais.
Durante a campanha, Netanyahu declarou que partidos árabes teriam papel decisivo em um governo contrário a ele, adotando uma narrativa que apela para a divisão social e racial. Sua equipe também informou que enviaria observadores para seções eleitorais árabes, visando prevenir fraudes que não foram comprovadas.
As ações policiais no dia da eleição, incluindo invasões sem mandado prévio, geraram críticas e têm sido usadas por Netanyahu para reforçar sua narrativa de fraude, mesmo diante da ausência de acusações formais e liberação dos detidos.
O gabinete do primeiro-ministro negou denúncias de que seu chefe de gabinete tenha influenciado diretamente as investigações. A procuradora-geral, Gali Baharav-Miara, rejeitou pedidos para interrogar políticos árabes por falta de evidências.
Porta-vozes de Netanyahu afirmam que metade da população não acredita no resultado eleitoral e defendem a anulação do pleito. Contudo, documentos oficiais informaram que após análise de milhares de reclamações não há evidências que comprometam a integridade e resultado do processo eleitoral.
O episódio, divulgado originalmente pelo The New York Times, demonstra uma tática política de questionar resultados para ganhar tempo e vantagens após derrota eleitoral, com impactos potenciais nas instituições democráticas de Israel.
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