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Rivais de Netanyahu usam vitória democrata nos EUA para pedir saída do premiê

O resultado das eleições nos EUA fortalece a oposição a Netanyahu, que perdeu maioria em Israel.

A vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato foi interpretada por rivais políticos de Benjamin Netanyahu como evidência de que ele desperdiçou o apoio bipartidário americano a Israel. Em Israel, a coalizão de direita liderada por Netanyahu perdeu a maioria no Parlamento nas eleições locais da semana anterior, mas teve votos suficientes para impedir uma vitória clara de seu principal adversário, Gadi Eisenkot.

O presidente israelense Isaac Herzog está em processo de consulta com representantes dos partidos para nomear quem formará o próximo governo, enquanto Netanyahu segue como primeiro-ministro interino.

Historicamente, os Estados Unidos têm sido aliados firmes de Israel com apoio vindo de ambos os principais partidos, fornecendo bilhões em ajuda militar desde a década de 1970. No entanto, Netanyahu se alinhou publicamente com os republicanos, o que, segundo opositores, enfraqueceu a tradicional base de apoio bipartidária norte-americana.

Leia também: Governos reagem à vitória dos democratas e destacam efeitos globais

Esse cenário foi agravado após a ofensiva militar de Israel em Gaza em 2023 e um ataque conjunto dos governos Trump e Netanyahu contra o Irã, que geraram críticas dentro do Partido Democrata americano. Alguns candidatos democratas destacaram essa questão em suas campanhas, e Trump prometeu no dia das eleições suspender o repasse anual de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 19,9 bilhões, na cotação de 04/11) a Israel para eliminar um argumento usado pelos democratas.

Em Israel, líderes da oposição expressaram que os resultados eleitorais nos EUA expõem a rejeição a Netanyahu entre democratas e republicanos e reforçam a necessidade de sua saída do cargo. Yair Golan, do Partido Democrata de centro-esquerda, caracterizou Netanyahu como tóxico para os dois partidos americanos, e Yair Lapid afirmou que a permanência de Netanyahu coloca em risco a segurança e a democracia israelenses.

Netanyahu ainda não comentou publicamente o resultado das eleições nos EUA, e seu gabinete não respondeu a pedidos de declarações.

Especialistas avaliam que o novo Congresso americano, com maioria democrata, deverá ser o mais crítico à política israelense de toda a história, podendo pressionar o governo por meio de fiscalizações e controle orçamentário, mesmo com o poder em política externa ainda centrado na presidência.

Nas próximas semanas, será definido se Netanyahu ou Eisenkot receberá a incumbência de formar uma coalizão para governar Israel. Caso o escolhido não consiga formar o governo, a tarefa passará para o outro, e a falta de acordo pode levar à convocação de novas eleições.

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