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Avanço da IA gera ansiedade em 56% dos eleitores nas eleições americanas

Eleições de meio de mandato expuseram desconfiança dos americanos em relação à IA e big techs, influenciando votos e políticas.

Avanço da IA gera ansiedade em 56% dos eleitores nas eleições americanas
Foto: Reprodução/InfoMoney

A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos em 3 de novembro revelou uma forte preocupação dos eleitores com o avanço da inteligência artificial (IA) e o domínio das grandes empresas de tecnologia. Além das conquistas do Partido Democrata para o controle do Congresso, os cidadãos foram convocados para votar em propostas regionais sobre restrições à instalação de data centers que dariam suporte à expansão das big techs.

Segundo dados da Redbud Consulting, os eleitores se posicionaram contrariamente ao desenvolvimento desses data centers em 46 das 47 disputas regionais relacionadas ao tema, demonstrando um claro posicionamento contra a ampliação da infraestrutura tecnológica nessas áreas. A única exceção foi a cidade de Harwood, em Dakota do Norte, que rejeitou uma medida que permitiria aos moradores maior influência nessas construções.

Graham Brookie, vice-presidente de programas e estratégia de tecnologia do Atlantic Council, destacou que o resultado das eleições evidenciou o ceticismo e a ansiedade generalizada dos americanos sobre a tecnologia e as empresas que a desenvolvem. Pesquisa de boca de urna da NBC News indicou que 56% dos eleitores consideraram a IA e sua infraestrutura fatores cruciais ou importantes para seu voto ao Congresso.

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Este sentimento crítico transcendeu as linhas partidárias. Múltiplos candidatos republicanos em estados como Michigan e Texas defenderam desacelerar a construção da infraestrutura de IA e aumentar a regulamentação do setor. Propostas bipartidárias sobre segurança da IA, como o Frontier Act e o AI Kill Switch Act, também estão ganhando espaço no Congresso.

Brookie acrescentou que 75% dos americanos olham para a IA com medo ou preocupação, especialmente em relação a questões como acessibilidade, emprego, educação, meio ambiente e segurança. Essas inquietações são mais prevalentes entre os jovens.

Os resultados eleitorais ocorreram logo após uma grande queda no mercado de tecnologia, que eliminou cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões, na cotação de 06/11) em valor de mercado, refletindo a incerteza dos investidores quanto à sustentabilidade dos lucros gerados pela indústria de IA. O índice Nasdaq sofreu forte queda, tendo sua maior baixa diária em 19 meses, enquanto o setor de semicondutores teve queda superior a 12%, com ações da Nvidia caindo mais de 9%.

Após os resultados, o presidente Donald Trump comentou nas redes sociais que o mercado teve um dos seus piores dias em reação às eleições, atribuindo o cenário aos democratas, em um discurso político que ressaltou a divisão existente.

Esses acontecimentos indicam que a inteligência artificial já está inserida como uma questão central na política e na economia dos EUA, demandando um diálogo nacional mais estruturado sobre seu impacto e a liderança do país nesse campo tecnológico.

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