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Redução da Violência em Caracas Está Associada a Atuação de Esquadrões Estatais

Caracas registrou queda drástica nos índices de criminalidade, impulsionada por ações policiais controversas e migração em massa.

18/10/2026 às 05h04  ·  Atualizado em 18/10/2026 às 05h06

Nos últimos anos, Caracas, capital da Venezuela, registrou uma redução significativa nos índices de criminalidade, incluindo uma queda acentuada da taxa de homicídios, assaltos e sequestros. Essa mudança representa uma das maiores transformações em segurança pública na América Latina.

Embora a sensação de segurança seja percebida tanto por moradores quanto por visitantes, especialistas apontam que a queda do crime está relacionada principalmente a ações controversas promovidas por esquadrões da morte ligados ao Estado. Essas forças policiais têm atuado de forma extrajudicial, executando jovens, em especial aqueles pertencentes aos grupos sociais mais vulneráveis e mais propensos a ingressar em organizações criminosas.

Entre 2018 e 2019, pelo menos 6.856 pessoas foram mortas por forças de segurança em operações policiais, conforme investigação das Nações Unidas. Tais ações, justificadas sob a expressão burocrática de “resistência à autoridade”, incluem manipulação de cenas de crime para simular confrontos legítimos.

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Essas operações, cujas vítimas geralmente são homens jovens de comunidades pobres, foram promovidas inicialmente em 2013 pelo então presidente Nicolás Maduro, no que foi denominado Operações de Libertação do Povo, com o objetivo declarado de combater gangues armadas. No entanto, a escolha por métodos extrajudiciais em vez do sistema judicial formal suscitou críticas de organizações internacionais e a abertura de investigação pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Além das ações das forças policiais, a migração em massa de milhões de venezuelanos durante o colapso econômico também contribuiu para a redução da criminalidade, já que entre os migrantes estavam membros de gangues e grupos criminosos.

A adoção informal do dólar americano e o aumento dos pagamentos eletrônicos reduziram a circulação de dinheiro em espécie, diminuindo oportunidades para crimes como assaltos e sequestros-relâmpago. As intervenções em unidades prisionais, que se tornaram centros operacionais de gangues, também fazem parte do cenário que explica a melhora dos indicadores.

No entanto, a ausência de dados oficiais confiáveis e transparência do governo venezuelano torna difícil verificar plenamente as estatísticas divulgadas, como a taxa de homicídios informada em 3 mortes por 100 mil habitantes em 2025. Autoridades também mantêm silêncio sobre o tema e evitam propagandear a redução da violência.

Familiares de vítimas relatam o impacto das operações policiais, como no caso de Millanyela Fernández, que perdeu o filho em uma ação policial no bairro de La Vega em 2021, ilustrando o custo humano dessas intervenções.

De maneira geral, o quadro atual se caracteriza pela substituição das gangues tradicionais por um cenário em que forças policiais e militares estabelecem um controle territorial e modalidades de extorsão institucionalizadas, conforme análise de moradores da capital.

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