Kinea destaca que eleição de 2026 é divisor de águas para mercado acionário brasileiro
Gestora avalia que múltiplos comprimidos da Bolsa refletem juros elevados e aponta cenário eleitoral como chave para futuro econômico do país.
A gestora Kinea analisou a atual conjuntura do mercado acionário brasileiro e questionou avaliações simplistas sobre a Bolsa estar barata, ressaltando que esse diagnóstico não considera o elevado custo de capital do país presente nos juros reais históricos altos.
Em relatório divulgado recentemente, a casa compara a resposta comum sobre a valorização das ações à famosa resposta “42”, do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, que embora correta, não responde à questão essencial. Para a Kinea, a pergunta adequada não é se a Bolsa brasileira está barata, mas se o próximo governo será capaz de mudar o cenário fiscal para que o Brasil deixe de precisar pagar mais de 7% ao ano acima da inflação para financiar sua dívida.
A análise chama atenção para o Ibovespa, que negocia próximo a oito vezes os lucros projetados, abaixo da média histórica próxima a dez vezes, porém esse múltiplo comprimido é consequência direta da alta taxa livre de risco e das taxas reais elevadas, que depreciam o valor presente dos lucros futuros e, em consequência, reduzem o preço das ações em relação ao lucro.
Além disso, o prêmio de risco acionário brasileiro está abaixo da média histórica e seria, excluindo commodities, um dos mais baixos globalmente, indicando que o custo elevado para investidores se relaciona mais aos títulos públicos com juro real alto do que propriamente a risco de Bolsa.
A Kinea destaca que o crescimento dos lucros do Ibovespa em dólar tem sido medíocre desde 2010, com 2,6% ao ano, impulsionado quase que exclusivamente por empresas de commodities, enquanto setores ligados ao mercado doméstico registram crescimento insuficiente para compensar a inflação do período.
Eleição de 2026 como ponto crucial
De acordo com a gestora, o processo eleitoral de 2026 é o principal evento capaz de redefinir o rumo do mercado financeiro brasileiro. O desfecho do pleito indicará se o país adotará uma agenda fiscal responsável, capaz de reduzir o custo de capital, estimular os múltiplos da Bolsa, expandir crédito e impulsionar lucros, ou se seguirá em trajetória fiscal deteriorada, mantendo juros elevados e limitando o crescimento ao setor exportador e de commodities.
Diante dessa incerteza, a recomendação da Kinea é manter uma estratégia que balanceie empresas com geração de caixa e crescimento independentemente do ciclo econômico, como utilities e construtoras voltadas ao programa Minha Casa, Minha Vida, e setores sensíveis a uma melhora econômica futura, como bancos, varejo e indústrias, que poderiam se beneficiar caso haja queda dos juros e retomada do crédito.
Entre as empresas destacadas na análise estão Sabesp, Eneva e construtoras como Cury, Direcional e Tenda, que apresentam resiliência e potencial de crescimento, além da Embraer, cuja tese depende mais de tendências globais da indústria aeronáutica do que do ambiente econômico doméstico.
A Kinea alerta que investidores não devem aguardar o resultado eleitoral para ajustar portfólios, já que o mercado tende a precificar cenários futuros antecipadamente. Mantém-se recomendação de manter foco em fundamentos e diversificação para enfrentar variados cenários políticos e econômicos, com a máxima: “Não entre em pânico”.