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Internacional

Relação entre Cuba e Venezuela enfraquece após prisão de Maduro e mudança política venezuelana

A aliança estratégica entre Cuba e Venezuela, construída há décadas, sofre enfraquecimento após captura de Maduro e alinhamento da Venezuela aos EUA.

17/10/2026 às 21h05

A histórica aliança entre Cuba e Venezuela, consolidada há mais de 20 anos a partir da relação entre Hugo Chávez e Fidel Castro, passou por um evidente enfraquecimento após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026. A mudança ficou evidente no recente discurso da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quando Cuba não foi mencionada, fato inédito desde a década passada.

Desde o início do governo de Chávez, em 1999, os laços entre os dois países foram definidos como uma “aliança estratégica”, reforçada pela cooperação em áreas como saúde, educação, cultura e segurança. Um exemplo notório dessa parceria era a presença de milhares de médicos cubanos no programa social Barrio Adentro, além de agentes cubanos atuando nos órgãos de segurança venezuelanos, especialmente na Direção Geral de Contrainteligência Militar (Dgcim).

Especialistas apontam que Cuba teria infiltrado profundamente as Forças Armadas e os serviços de segurança da Venezuela, participando de treinamentos e operações de contrainteligência e repressão, o que levou à adoção de doutrinas militares cubanas por parte das instituições venezuelanas.

Contudo, após a operação dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro, quando cerca de 32 agentes cubanos foram mortos na ação, a influência cubana sofreu um revés significativo. Reportagens recentes indicam que agentes de segurança cubanos estão sendo retirados da Venezuela, e que a Venezuela, sob o comando de Delcy Rodríguez, tem demonstrado um alinhamento político mais próximo aos Estados Unidos, inclusive com o controle americano sobre a venda do petróleo venezuelano, que antes era fornecido à Cuba em condições especiais.

Embora a embaixada cubana em Caracas continue em atividade, o contato com o chamado “núcleo duro” do governo venezuelano tem sido reduzido, e as viagens habituais de autoridades venezuelanas a Havana também foram significativamente diminuídas. Ainda assim, a presença cubana na área da saúde permanece, embora aumente o número de profissionais que abandonam os programas ou deixam o país.

As potenciais razões para a mudança incluem a pressão dos Estados Unidos sobre o governo de Rodríguez, bem como os desafios internos de Cuba, que encontra na Venezuela uma fonte essencial de petróleo. Apesar da tensão, Cuba tem evitado críticas públicas diretas ao governo venezuelano, adotando uma postura de manutenção dos vínculos diplomáticos e políticos, mas reconhecendo, pelo vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossío, que a Venezuela atualmente é mais um “país amigo” do que um “aliado”.

Analistas acreditam que tanto Cuba quanto a Venezuela buscam preservar uma possibilidade de reconstrução da parceria caso haja mudanças políticas futuras, sobretudo considerando o possível cenário político nos Estados Unidos após a presidência de Donald Trump.

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