Governo Lula amplia renegociação de dívidas no agro
Programa de renegociação enfrenta dificuldades, e relatório propõe alterações para ampliar acesso e flexibilizar regras.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está estudando mudanças nas regras da renegociação de dívidas rurais, visando destravar o acesso dos produtores rurais às linhas de crédito para financiar a safra 2026/2027. A medida provisória (MP) que instituiu o programa foi negociada e publicada em julho, com os primeiros pedidos começando a ser feitos em agosto após definições do Ministério da Fazenda e do Conselho Monetário Nacional (CMN).
No entanto, em pouco mais de um mês, o setor e as instituições financeiras observaram que os recursos ainda não estão fluindo adequadamente, o que impacta a contratação de crédito. Frente a esse cenário, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, apresentou um relatório com dez alterações na MP para ampliar o acesso e flexibilizar as condições.
Principais mudanças propostas
Entre as alterações previstas está a inclusão das dívidas não bancárias, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), emitidas a cooperativas ou fornecedores de insumos, além daquelas negociadas com instituições financeiras. Essa mudança atende a um pleito da bancada do agronegócio, que argumenta que o endividamento rural vai além dos bancos.
Além disso, o relatório amplia a abrangência para dívidas rurais convertidas em Cédulas de Crédito Bancário (CCB) contratadas até 31 de dezembro de 2025 e que tenham sido usadas para pagar dívidas rurais. Também está prevista a prorrogação do prazo para adesão à renegociação, que pode passar de 31 de maio para 31 de agosto, contemplando contratos com vencimento nos meses seguintes.
Outra alteração importante é permitir a renegociação para produtores rurais que estejam adimplentes em operações de crédito para investimento, assim como para grupos ligados à agricultura familiar e produtores que acessaram créditos para renegociação no ano anterior, desde que haja perda de renda por outros motivos.
Custos e critérios
O governo estima que a renegociação custará R$ 48,29 milhões em 2026, relativos à equalização de juros para a prorrogação do vencimento das operações. O relatório reconhece que estas mudanças ampliarão o programa, mas não apresenta novo cálculo de custo, ressaltando que as medidas dependem da disponibilidade orçamentária.
Para acessar o programa, os produtores precisarão comprovar perda de pelo menos 30% da renda bruta em duas safras, critério atualmente vigente e que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) quer simplificar, sugerindo flexibilização de atestados e pagamentos.
Situação atual e reações do setor
O Banco do Brasil, o maior financiador do agronegócio, iniciou as contratações em 26 de agosto, com cerca de 5 mil operações em fase de negociação, volume considerado baixo pelo setor. O Sicredi informou ter iniciado 10 mil renegociações que somam R$ 2,6 bilhões, mas identificou restrições relacionadas a critérios de enquadramento das dívidas e datas de vencimento. O Sicoob também relata ritmo lento, especialmente em regiões como Minas Gerais, onde produtores não conseguem acessar o programa por terem registrado perda em apenas uma safra.
O debate inclui a possibilidade de flexibilizar o critério das duas safras e simplificar a documentação necessária, com instituições de crédito discutindo ajustes junto ao Congresso Nacional.
A MP que criou o programa tem validade até o início de novembro, prazo para ser votada pelo Congresso. O setor aguarda que a votação ocorra após o primeiro turno das eleições.
Veja também
Empresário Federico Vázquez, dono do Ueno Bank, é preso no Paraguai por suspeitas
Em Mercados
Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou após crise bancária
Em Mercados
Crise do Ueno Bank: diretores com carreira no Brasil presos por fraudes no Paraguai
Em Mercados
Governo do DF pede ao STF inclusão do BRB como vítima em fraude do Banco Master
Em Distrito Federal
Quebra do Ueno Bank no Paraguai afeta 3 milhões de clientes e R$ 4,2 bilhões públicos
Em Economia



Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.